
Copa do Mundo 2026 pode deixar cidades dos Estados Unidos com prejuízo de até 250 milhões de dólares, segundo estimativas, faltando dois dias para o início do torneio. O torneio terá 16 cidades-sede, sendo 11 nos EUA, e a Fifa projeta lucros recordes de até 13 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, várias prefeituras deram garantias financeiras e assumiram custos operacionais que podem pesar nos cofres locais após a festa terminar. Este cenário abre um debate sobre gerenciamento de gastos, exclusividade comercial e o legado deixado por grandes eventos — uma conversa que também interessa ao futebol brasileiro.
O rombo que circula nas estimativas decorre da responsabilidade das cidades por segurança, infraestrutura e logística, além das restrições contratuais impostas pela Fifa. Prefeituras afirmam que a proibição de parcerias com concorrentes dos patrocinadores oficiais reduziu fontes de receita em momentos de maior fluxo turístico. Além disso, a assinatura de compromissos individuais, em vez de uma coordenação centralizada, deixou cada sede responsável por sua própria conta. Os números citados nas projeções incluem tanto investimentos imediatos quanto custos operacionais que podem persistir no pós-evento.
As áreas que mais demandam dinheiro das prefeituras das cidades estadunidenses são:
As despesas mais pesadas recaem sobre setores que exigem presença e operação contínua durante os jogos. Segurança, adaptação de espaços públicos e estrutura das fan fests aparecem no topo da conta das prefeituras. A seguir, um resumo das principais áreas que concentram gastos significativos em cada cidade-sede. Os itens podem variar de acordo com a escala do evento e a capacidade pré-existente de cada metrópole.
- Segurança pública: as cidades-sede precisam investir milhões de dólares em policiamento, monitoramento e controle de multidões; a demora na liberação de recursos federais aumenta a pressão sobre os orçamentos locais.
- Restrições comerciais: contratos garantem exclusividade aos patrocinadores oficiais, limitando a capacidade das cidades de firmarem acordos próprios e de gerar receitas extras durante o torneio.
- Custos das Fan Fests: espaços públicos destinados à transmissão dos jogos exigem gastos elevados com infraestrutura, segurança e logística, despesas que ficam sob responsabilidade dos governos municipais.
Grandes metrópoles que desistiram de sediar o torneio
Algumas grandes cidades já abriram mão da candidatura diante do risco fiscal, caso de Chicago e Minneapolis. Autoridades locais citaram o receio de repassar déficits aos contribuintes e a impossibilidade de garantir retorno econômico suficiente. A decisão reflete uma avaliação de custo-benefício que pesa mais em centros com alto custo operacional e opções de investimento concorrentes. Esse movimento de recuo nas candidaturas antecipou o debate sobre quem realmente arca com a conta de eventos globais.
Lucros esperados pelas cidades
Mesmo com o risco de custos elevados, grandes centros como Nova York, Los Angeles e Miami esperam aumento de ocupação hoteleira e consumo. As projeções apontam criação de empregos temporários nas áreas de turismo, transporte e serviços, que podem atenuar parte do impacto. O México e o Canadá, coanfitriões, têm posturas diferentes: o México aposta em estádios consolidados e menor necessidade de investimentos, enquanto o Canadá debate com mais cautela sobre o equilíbrio entre gasto e benefício. No fim, o retorno econômico depende da capacidade de cada sede em transformar fluxo de visitantes em receita local efetiva.
Do ponto de vista brasileiro, a discussão sobre legado e custo público lembra o que se viu em 2014, quando obras e adaptações em estádios como o Maracanã geraram debate sobre uso futuro e manutenção. No Rio, clubes como o Flamengo (Mengão) e o Fluminense (Tricolor das Laranjeiras) dividem o Maracanã, enquanto o Vasco (Gigante da Colina) e o Botafogo (Glorioso) mantêm ligação histórica com São Januário e o Nilton Santos, respectivamente. Esses espaços vivem a tensão entre demandas por grandes eventos — que trazem receita — e os custos permanentes de operação e modernização. Para o calendário nacional, que inclui Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e o Cariocão, a gestão eficiente de estádios e parcerias comerciais é peça-chave para evitar que custos de eventos internacionais repassados ao poder público prejudiquem o futebol local.
A dois dias do pontapé inicial, a equação financeira da Copa do Mundo 2026 continua sendo um jogo de risco para as sedes americanas. Enquanto a Fifa contabiliza ganhos bilionários, as prefeituras vigilam números que podem virar déficit após o apito final. O debate sobre exclusividade de patrocinadores, segurança e legado é relevante também para o futebol brasileiro e para a gestão de nossos estádios. Resta acompanhar nos próximos meses se a festa deixará saldo positivo — nas arquibancadas e nos cofres — ou um rombo a ser pago pelo contribuinte.



