
Balogun, atacante da seleção dos Estados Unidos, foi liberado pela Fifa para atuar nas oitavas da Copa do Mundo, decisão que a Uefa classificou nesta segunda-feira (6 de julho de 2026) como uma medida que “cruzou uma linha vermelha” e põe em risco a integridade da competição.
O atacante Folarin Balogun recebeu cartão vermelho direto na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, nos 16 avos de final, após acertar o zagueiro Tarik Muharemovic, da seleção da Bósnia e Herzegovina. Pela regra padrão do torneio, isso acarretaria suspensão automática de uma partida.
A Fifa, no entanto, aplicou o artigo 27 do Código Disciplinar para suspender a execução da punição em caráter probatório por um ano, tornando Balogun apto para o confronto das oitavas contra a Bélgica. Segundo apuração da Associated Press, a revisão ocorreu após um pedido da Casa Branca ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Críticas proliferam
A Uefa, em nota oficial, chamou a decisão de “inédita, incompreensível e injustificável”, afirmando que a suspensão automática decorrente de cartão vermelho é princípio previsto no regulamento e não pode ser flexibilizada no curso de um torneio.
“O futebol… se baseia em regras que garantem uma competição justa, honesta e transparente”, disse a entidade, argumentando que exceções no meio do torneio comprometem a credibilidade e criam precedente para casos semelhantes.
Além da Uefa, vozes do futebol internacional se manifestaram: o ex-presidente Sepp Blatter afirmou que punições não deveriam ser revertidas por intervenções políticas; e o técnico Thomas Tuchel comentou com ironia, após a expulsão de Jarell Quansah — zagueiro da seleção da Inglaterra e do Liverpool — questionando onde estaria o limite para revisões dessa natureza.
Como a Fifa justificou
A Fifa explicou que a suspensão ficará suspensa por um ano em caráter probatório e que, se Balogun repetir infração semelhante no período, a punição será restabelecida e poderá haver sanção adicional. A entidade citou o artigo 27 como base legal para a medida.
Contexto e impacto
Esse mecanismo já foi aplicado anteriormente em situações de grande repercussão, citando-se o caso de Cristiano Ronaldo, atacante de Portugal e do Al Nassr, quando a execução de uma sanção foi adiada para permitir sua participação em partidas do torneio. Ainda assim, a repetição do expediente em plena Copa reacende o debate sobre igualdade de tratamento entre seleções e jogadores.
Do ponto de vista técnico e disciplinar, a preocupação da Uefa é prática: permitir exceções durante o torneio altera expectativas de aplicação uniforme das regras. Para torcedores e dirigentes, a sensação é de que o piso do jogo — as normas básicas — não pode ficar sujeito a revisões pontuais que dependam de influência externa.
O episódio abre outro capítulo sobre governança e independência das entidades que regem o futebol mundial. Em campo, resta saber como a equipe americana e a Bélgica vão lidar com o foco que agora está tanto na bola quanto nas mesas que decidem recursos e interpretações.
No fim, fica a imagem do torcedor: sentado na cadeira, ligado no jogo e desconfiado de quem escreve as regras no intervalo. O futebol pede clareza. E a cobrança agora vem de cima, da própria Uefa.



