TAS mantém multas à Federação Mexicana por gritos homofóbicos

Tribunal do Esporte mantém punições ao México por grito homofóbico | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) manteve as multas aplicadas pela FIFA à Federação Mexicana de Futebol (FMF) em razão dos gritos homofóbicos repetidos por torcedores em partidas da seleção. A decisão confirma duas multas de 60 mil e 70 mil francos suíços — valores que correspondem aproximadamente a R$ 383 mil e R$ 510 mil, respectivamente. Os episódios foram registrados em amistosos contra Bolívia, Uruguai, Estados Unidos e Brasil, em 2024, e chegaram a motivar suspensão temporária de partidas após o sistema de monitoramento antidiscriminação identificar o teor das ofensas. A manutenção das sanções financeiras mostra que o painel considerou as provas suficientes para responsabilizar a federação.

Medida sobre fechamento do estádio

Embora o TAS tenha mantido as multas, o tribunal acolheu parcialmente o recurso da FMF e anulou a determinação de fechamento de 15% do Estádio Azteca na abertura da Copa do Mundo. A FIFA havia aplicado essa medida como forma de penalizar a gravidade dos episódios nas arquibancadas, mas o TAS entendeu que esse item não se sustentou diante dos argumentos apresentados. Duas partidas, vale lembrar, chegaram a ser interrompidas no momento em que o sistema detectou os gritos, reforçando a percepção de caráter coletivo do problema. Ainda assim, o painel apontou que as medidas preventivas adotadas pela FMF até então não eram suficientes para afastar a responsabilidade disciplinar.

Julgamento do recurso no TAS

No recurso, a FMF argumentou que vinha investindo desde 2015 em campanhas e programas para erradicar o grito e pediu que esses esforços fossem considerados na dosimetria das penas. Após audiência realizada em Miami em março, o painel analisou imagens das partidas e depoimentos, concluindo que a conduta foi “coletiva e generalizada, e não meramente uma ocorrência isolada”. O TAS reconheceu a singularidade dos investimentos apresentados pela federação, mas entendeu que isso não eximia a FMF da responsabilização diante da persistência das ofensas. O recurso relativo ao amistoso de outubro de 2024 contra os Estados Unidos foi rejeitado, mantendo-se a sanção para esse episódio.

Impacto e precedentes

A decisão do TAS cria um precedente importante para a punição de condutas discriminatórias em competições internacionais, deixando claro que medidas preventivas precisam ter eficácia comprovada. O México já vinha acumulando sanções da FIFA e da CONCACAF por conta do grito, que costuma ocorrer nos tiros de meta e é direcionado, em geral, aos goleiros adversários. No mês passado, a FMF lançou uma campanha pedindo o fim do grito após a FIFA ordenar o fechamento parcial do Estádio Cuauhtémoc, em Puebla, para um amistoso de preparação contra Gana. Com o país como um dos coanfitriões da Copa do Mundo de 2026, que abre com o jogo contra a África do Sul em 11 de junho, a pressão para o controle das arquibancadas se intensifica.

Em resumo, as multas financeiras seguem mantidas e a FMF terá de arcar com os valores, enquanto a suspensão parcial do Azteca foi retirada pelo TAS. Cabe agora à federação demonstrar medidas práticas e efetivas para evitar novas ocorrências e reduzir o risco de punições futuras. O caso mexicano será referência em processos disciplinares sobre discriminação nas arquibancadas, e reforça que a paixão pelo futebol não pode legitimar ofensas. Para quem acompanha o jogo com atenção — seja no Maracanã, no São Januário ou no Nilton Santos — fica o alerta de que arquibancadas saudáveis são parte do espetáculo.

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