
Retomada do julgamento sobre a morte de Maradona
A Justiça da Argentina retomará nesta terça-feira (14) o julgamento sobre a morte de Diego Armando Maradona, ídolo máximo do futebol argentino que faleceu em 2020 aos 60 anos. O processo volta ao Tribunal Oral en lo Criminal Nº 7 de San Isidro após o afastamento da juíza Julieta Makintach, envolvida na gravação de um documentário não autorizado sobre o caso. Todas as partes que prestaram depoimento e juntaram provas no processo anterior terão de ser ouvidas novamente, segundo a decisão do tribunal. O episódio reacende o debate sobre responsabilidades médicas e protocolos de atendimento a pacientes de alto risco. Para quem acompanha o futebol mundial, é um capítulo pesado da história do esporte que volta a andar nos tribunais.
Acusações, defesa e alcance do processo
A equipe médica que cuidava de Maradona é acusada de negligência e de homicídio simples com dolo eventual, crime que prevê pena de 8 a 25 anos de prisão. A defesa dos profissionais nega as acusações e afirma que o tratamento seguiu padrões clínicos compatíveis com o quadro do ex-jogador. Ao todo, a expectativa é de 92 depoentes, entre filhos, familiares e pessoas do entorno de Maradona, o que pode alongar o cronograma do julgamento. A retomada do processo também foi motivada por questões formais após a substituição da juíza responsável, o que obriga a reexaminar depoimentos e provas. O caso segue atraindo atenção internacional por envolver uma figura central da história do futebol.
Quem são os réus
Sete dos oito profissionais que integravam a equipe médica de Maradona sentam-se agora diante dos juízes Alberto Gaig, Alberto Ortolani e Pablo Rolón. A lista reúne médicos, enfermeiros, psicólogos e coordenadores ligados ao cuidado do paciente, nomes que serão ouvidos novamente no Tribunal de San Isidro. Abaixo, os citados no processo com as idades informadas nos autos:
- Leopoldo Luciano Luque (45), médico;
- Agustina Cosachov (41), psiquiatra;
- Carlos Ángel Díaz (34), psicólogo;
- Nancy Edith Forlini (57), coordenadora da prestadora de serviços médica contratada;
- Mariano Ariel Perroni (45), coordenador da Medidom SRL;
- Ricardo Omar Almirón (42), enfermeiro;
- Pedro Pablo Di Spagna (53), clínico.
Penas, depoimentos e os próximos passos
O crime de homicídio simples com dolo eventual, pelo qual respondem os sete profissionais, carrega pena prevista de 8 a 25 anos, caso sejam condenados. A enfermeira Dahiana Gisela Madrid, de 41 anos, terá julgamento em tribunal de júri por decisão de sua defesa, mas ainda não há data marcada para essa etapa. A reabertura das oitivas significa que testemunhas-chave — incluindo filhas e outros familiares — serão novamente convocadas, o que pode alterar versões e trazer novas evidências. Maradona morreu em casa, aos 60 anos, em novembro de 2020, vítima de insuficiência cardíaca enquanto se recuperava de uma cirurgia para retirada de um coágulo no cérebro. O processo vai definir responsabilidades médicas e fechar, na esfera judicial, um capítulo doloroso da vida de um dos maiores ídolos do futebol mundial.



