Fifa registra aumento de racismo online na Copa do Mundo de 2026

Torcedores e campo de futebol durante partida da Copa do Mundo, com bandeiras e câmeras
Imagem: Divulgação / Reprodução

A racismo online na Copa do Mundo de 2026 aumentou de forma expressiva, segundo relatório divulgado pela Fifa, que registrou cerca de 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos. O levantamento apontou que o volume de postagens analisadas cresceu 33% em relação ao Mundial anterior, com mais de seis milhões de publicações e comentários vasculhados pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais (SMPS). A entidade informou que 11% das mensagens ofensivas foram classificadas como mais graves, três pontos percentuais acima do observado em 2022, e que houve encaminhamento de centenas de casos para revisão humana. Essas medidas ocorreram em um torneio ampliado, com 48 seleções, que naturalmente elevou o fluxo de conteúdo online.

Aumento do volume monitorado

O SMPS combinou ferramentas automatizadas e moderação humana para identificar, filtrar e bloquear mensagens discriminatórias e ameaçadoras, disse a Fifa, em comunicado. Das cerca de 225 mil publicações encaminhadas para análise humana, 89 mil foram confirmadas como abusivas e receberam medidas de moderação, enquanto aproximadamente mil contas seguiram para investigações mais aprofundadas. As ferramentas automáticas também ocultaram cerca de 181 mil comentários de ódio nas contas oficiais das seleções durante a fase de grupos. Além disso, mais de dois milhões de comentários foram moderados por spam, robôs ou contas falsas, número quatro vezes superior ao de 2022.

O que é o SMPS

O Serviço de Proteção às Redes Sociais (SMPS) atua como uma camada de defesa para seleções, jogadores, treinadores e árbitros em competições organizadas pela Fifa, monitorando perfis oficiais e menções públicas. O sistema usa algoritmos para detectar conteúdo problemático e encaminha casos que exigem avaliação humana, com o objetivo de reduzir a exposição a insultos, ameaças e discursos de ódio. Segundo a Fifa, o uso do SMPS foi intensificado neste Mundial por causa do aumento do número de seleções e do tráfego digital em torno das partidas. A atuação tem servido também como fonte de provas para ações legais quando os critérios são atingidos.

Provas e episódios registrados

Em termos de consequências legais, a Fifa afirmou que mais de 100 casos já cumpriram os critérios para preparação de processos judiciais contra responsáveis por publicações abusivas. Entre os episódios relatados na competição, jogadores holandeses sofreram ataques racistas nas redes sociais após a eliminação da Holanda para Marrocos: Justin Kluivert (atacante/ala, seleção da Holanda), Quinten Timber (meio-campista/lateral, seleção da Holanda) e Crysencio Summerville (atacante, seleção da Holanda) foram citados como alvos de mensagens ofensivas após perderem cobranças na disputa de pênaltis. A Fifa classificou esses episódios como parte do padrão de aumento de conteúdo objetivamente mais grave e ofensivo observado no torneio.

Para o futebol brasileiro, o relatório acende um alerta sobre a escalada do abuso digital em grandes competições e a necessidade de mecanismos robustos de proteção a atletas e comissões técnicas. Estádios que reúnem torcidas massivas, como o Maracanã, continuam sendo palco também de intensa atividade online de torcedores, e a extensão mundial do torneio traz reflexos diretos na moderação das redes. A divulgação dos números pela Fifa reforça a discussão sobre responsabilização e medidas preventivas dentro e fora de campo, especialmente em um contexto com mais seleções e mais exposição midiática.

Em suma, a Fifa destaca que a combinação entre tecnologia e revisão humana foi determinante para identificar e mitigar grande parte do conteúdo abusivo, mas admite que o aumento do volume exige aprimoramento contínuo das ferramentas. O SMPS segue como ferramenta disponível para as seleções, com o objetivo de proteger participantes e seguidores da exposição a conteúdos discriminatórios e criminosos, enquanto autoridades avaliam possíveis ações judiciais contra autores de ataques online.

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