Brechó de futebol na Cidade do México vende camisas raras por até R$ 10.300

Interior do brechó Es de Época com camisas de futebol penduradas e decoração retrô
Imagem: Divulgação / Reprodução

O brechó de futebol Es de Época, na Cidade do México, reúne camisas antigas que chegam a custar até R$ 10.300. A chegada da Copa do Mundo transformou a cidade e, nesta quinta-feira (11), o Estádio Azteca recebe a partida de abertura entre México e África do Sul, atraindo colecionadores e torcedores ao redor da capital. Enquanto turistas e locais circulam com os uniformes novos das grandes fornecedoras, a loja na Colonia Roma aposta no mercado retrô, oferecendo peças raras e históricas. A proximidade com os jogos faz com que a loja espere um fluxo maior de visitantes durante o torneio.

Nas ruas próximas ao Azteca e nos arredores da Colonia Roma, motoristas e pedestres exibem camisas das seleções e clubes; há espaço tanto para os lançamentos das marcas quanto para o mercado de segunda mão. O Es de Época, inaugurado em 2022, funciona em um endereço que também abriga um café e uma loja de câmeras analógicas, e se especializa em camisas antigas de seleções e clubes do mundo todo, inclusive do Brasil. Entre os produtos à venda há desde peças acessíveis até raridades com preços elevados, como uma camisa de 1993 à venda por 3.700 pesos mexicanos (cerca de R$ 1.100). A loja tenta equilibrar oferta para colecionadores e curiosos que visitam a capital durante o Mundial.

Da música ao futebol

A história do brechó começou com Aldo Camacho, que vinha do universo da música e tocou na banda punk Tungas antes da pandemia. Com os shows suspensos em 2020, Aldo voltou a colecionar camisas que tinha na infância e acabou transformando o hobby em negócio, abrindo a loja em 2022. Segundo ele, a ideia era criar um espaço onde se pudesse viver a cultura do futebol com calma, sem os bares barulhentos do bairro. Aldo é torcedor do Pumas e diz que a paixão pelo clube e pela história do esporte orientou a curadoria do acervo da loja.

O Es de Época toma como referência lojas europeias especializadas em material retrô, como a inglesa Classic Football Shirts, e buscou peças em mercados variados para montar seu catálogo. A decoração mistura flâmulas, bolas antigas e memorabilia, e a seleção inclui camisas mexicanas, de seleções sul-americanas e de clubes de todos os continentes, além de peças brasileiras. A oferta busca atender tanto o colecionador experiente quanto o turista que quer levar uma lembrança histórica da Copa. Aldo afirma que, apesar das peças mais caras ganharem destaque na imprensa, há modelos a preços populares para quem procura algo mais em conta.

O Top 3 de camisas mais caras

O acervo do brechó inclui algumas peças de destaque avaliadas em valores altos para colecionadores. Entre as raridades, aparecem camisas históricas de seleções e clubes que justificam preços elevados por sua procedência e uso em partidas relevantes. As três peças mais caras listadas pela loja mostram variação entre uniformes nacionais e partidas oficiais, com preços cotados em dólares e convertidos de forma aproximada para o mercado local. A seguir, os destaques anunciados pelo estabelecimento.

  1. Camisa da Argentina, 1985 — peça semelhante ao uniforme visitante usado na Copa de 1986, à venda por US$ 600 (aproximadamente R$ 3.000).
  2. Camisa do Club América, década de 1980 — avaliada também em US$ 600 (cerca de R$ 3.000); o América é apontado como um dos clubes mais populares do México e dona de campanhas históricas na época.
  3. Camisa usada por Horacio López Salgado, meio-campista (ex-seleção mexicana) — utilizada em jogo das eliminatórias para a Copa de 1974 e cotada em US$ 2.000 (aproximadamente R$ 10.300).

Análise do mercado

O mercado de camisas antigas vem se tornando parte importante da cultura futebolística global, com lojas especializadas atendendo a um público que vai do colecionador ao torcedor nostálgico. No Brasil, colecionadores procuram peças históricas de clubes como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo — o Mengão, o Gigante da Colina, o Tricolor das Laranjeiras e o Glorioso — valorizando camisetas associadas a campanhas memoráveis em competições como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. Estádios como o Maracanã, São Januário e o estádio Nilton Santos funcionam como referências emocionais para torcedores que buscam peças ligadas a momentos específicos. A valorização depende de fatores como autenticidade, uso em partidas oficiais e estado de conservação.

Aldo também lembra que nem tudo no Es de Época é caro: há opções por cerca de US$ 50 para quem quer entrar no universo do colecionismo sem gastar fortunas. Com a Cidade do México recebendo torcedores de todo o mundo durante a Copa, a loja espera ver mais visitantes curiosos e compradores em busca de uma peça com história. O negócio segue como exemplo de como paixão por futebol e curadoria podem se transformar em empreendimento cultural e comercial.

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