Bert Patenaude reconhecido como autor do primeiro hat-trick da Copa do Mundo

Arquivo histórico: público e jogadores no Estádio Parque Central em 1930
Imagem: Divulgação / Reprodução

O hat-trick da Copa do Mundo entrou para os livros como obra de Bert Patenaude: a Fifa, após revisão de arquivos e depoimentos, reconheceu oficialmente o feito de 1930. Patenaude, atacante da seleção dos Estados Unidos em 1930, marcou três gols no jogo que entrou para a polêmica histórica, realizada no Estádio Parque Central, no Uruguai. A correção encerrou décadas de disputa sobre quem havia feito o primeiro hat-trick do torneio e reacendeu o interesse por relatos e documentos da era inaugural. Para quem gosta de futebol com cheiro de história, é aquele capítulo que reaparece com provas novas, tirando poeira dos arquivos. O reconhecimento oficial aconteceu muitos anos depois, quando pesquisadores americanos reuniram evidências suficientes para convencer a entidade máxima do futebol.

Confusão histórica

A disputa por quem teria o primeiro hat-trick da Copa nasceu da própria fragilidade das coberturas de 1930 e de fichas de partida nem sempre precisas. Patenaude (atacante, seleção dos Estados Unidos em 1930) vinha sendo lembrado pela federação americana como autor de três gols em uma partida, mas os relatórios oficiais da época lançaram dúvida ao creditar um dos gols a outro jogador. Do outro lado da controvérsia, Guillermo Stábile (atacante, seleção argentina em 1930) também teve momentos de brilho no torneio e chegou a marcar três gols em outro jogo, o que manteve a disputa acesa por décadas. O jogo em que Patenaude teria feito os três gols ocorreu no histórico Parque Central, palco dos primórdios do Mundial, e se tornou peça central dessa investigação. No vai e vem das fontes, jornalismos de vários países e depoimentos de envolvidos, a história foi sendo recontada até a decisão final.

Provas determinantes

A reabertura do caso ganhou corpo com o trabalho do historiador Colin Jose e depoimentos de ex-jogadores e auxiliares, como Arnie Oliver e Wilfrid Cummings, que endossaram a versão americana. Relatos de jornais da época, entre eles publicações brasileiras e argentinas, apontaram Patenaude como autor dos três gols no jogo em questão, e um guia de mídia da época também corroborou essa leitura. Com essas peças em mãos, a federação americana levou o caso à Fifa, que, após avaliar os documentos e depoimentos, mudou o registro oficial. A correção formal, oficializada em 2006, pôs fim a quase oito décadas de incerteza sobre a primazia do primeiro hat-trick do Mundial. Para o torcedor que gosta de memória do futebol, foi uma vitória da pesquisa e da paciência histórica.

Recordes e legado

O reconhecimento de Patenaude devolveu ao episódio seu lugar correto nas estatísticas e lembra como os registros iniciais do futebol mundial eram sujeitos a falhas. Patenaude já havia deixado sua marca também na derrota americana por 6 a 1 para a Argentina na semifinal, e a revisão dos feitos de 1930 ajuda a mapear melhor a trajetória dos primeiros astros daquele Mundial. Historicamente, a correção mostra a importância do trabalho dos pesquisadores e federações nacionais ao revisitar fontes primárias e depoimentos. Em termos de legado, o episódio reforça a necessidade de cuidado com estatísticas antigas e celebra o papel da documentação para preservar a memória do esporte. No fim das contas, a bola voltou a rolar justa para um nome que estava no coração dos arquivos americanos.

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