Flamengo pede regras mais rígidas à ANRESF para evitar burlas ao fair play

Bandeira do Flamengo tremulando na arquibancada
Imagem: Divulgação / Reprodução

Bandeira do Flamengo

Síntese das propostas e pedidos do Flamengo

Flamengo apresentou à ANRESF uma lista de sugestões para fechar brechas que estão permitindo a burla ao fair play financeiro na primeira janela de transferências sob a nova regulação.

O clube enumera medidas práticas e solicita esclarecimentos normativos para garantir que quem cumpre as regras não seja prejudicado esportivamente nem financeiramente.

Principais pedidos

  1. Marco temporal claro: definir que apenas o protocolo da Recuperação Judicial principal seja o marco para incidência das restrições financeiras, impedindo o uso de tutelas cautelares anteriores como expediente para driblar o início da aplicação do fair play.
  2. Certidão de Conformidade Financeira (BID): tornar explícito que a verificação dos novos registros de atletas quanto aos limites de folha e teto de investimentos em transferências deve ocorrer antes da publicação no BID, e não depois do fechamento da janela, para evitar prejuízo esportivo a clubes corretos.
  3. Combate à maquiagem de gastos: pedir que a ANRESF faça fiscalização com retrospecção (90 a 180 dias antes da decretação da RJ) para detectar aumentos artificiais na folha salarial realizados antes do pedido de recuperação.
  4. Sanções durante a temporada: recomendar que a perda de pontos prevista pelo regulamento do fair play seja aplicada no mesmo campeonato em que a infração foi constatada, preservando a justiça esportiva, e que haja responsabilização dos gestores envolvidos.
  5. Atuação preventiva e transparência: sugerir que a ANRESF atue como amicus curiae em processos judiciais relativos a recuperações, levando ao juiz a visão da comunidade do futebol e evitando decisões que favoreçam a manipulação de regras.
  6. Coordenação ANRESF/CBF com a FIFA: solicitar que decisões internacionais, como retirada de transfer bans pela FIFA, sejam precedidas de análise dos impactos no tecido financeiro e esportivo do futebol brasileiro.

Análise

Trata-se da primeira janela de transferências sob a vigência da regulação relativa aos processos de recuperação financeira, e o Flamengo aponta lacunas operacionais que estariam sendo exploradas por clubes e SAFs. A preocupação principal é evitar que manobras jurídicas e contábeis gerem vantagem competitiva momentânea em detrimento de rivais que atuam dentro das regras.

Se aplicada, a sugestão de fiscalizar antes da publicação no BID e de impor sanções já no mesmo torneio pode reduzir distorções no Brasileirão e na Copa do Brasil — competições cujo equilíbrio depende da credibilidade das regras. Já a proposta de atuação conjunta com a CBF e diálogo prévio com a FIFA mira a coerência entre decisões internacionais e impactos locais.

Na prática, as medidas pedidas pelo clube buscam transformar a fiscalização em instrumento efetivo, não apenas punitivo retroativo, e fechar caminhos que permitem maquiagem de folha ou uso de tutelas para adiar efeitos da recuperação judicial.

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