
Há três meses parecia fim de novela: torcedores do Crystal Palace vaiavam Oliver Glasner no setor visitante durante o jogo dos playoffs da Conference League contra o HSK Zrinjski Mostar, transformando frustração em cânticos por sua saída. Naquela fase amarga o Palace vinha com apenas uma vitória em 15 jogos em todas as competições, e o técnico — de 51 anos — já havia anunciado que deixaria o clube ao término da temporada. A tensão aumentou quando Glasner respondeu às críticas pedindo que os torcedores “mantivessem a humildade” e “lembrarem de onde vieram”, frase que inflamou ainda mais a massa. Ainda assim, o quadro mudou nos meses seguintes e o clima hoje é de esperança antes da decisão.
“Vocês não precisam jogar para o técnico”
Glasner repetiu a ideia de que o grupo sempre jogou por si e pelo clube, e que um título beneficiaria quem permanecer em Selhurst Park: “Se ganharmos a Conference League, todos os jogadores que ficarem aqui no clube, os torcedores, se beneficiarão, porque jogarão futebol europeu novamente no ano que vem”, disse ele ao site da Uefa. O treinador, que chegou ao Palace vindo do Eintracht Frankfurt em fevereiro de 2024, evita transformar a final em uma homenagem pessoal, mas não esconde o desejo por um desfecho perfeito. Para ele, encerrar essa jornada com um troféu europeu seria o ápice de mais de dois anos de trabalho. A fala demonstra a consciência de quem já conquistou a Europa League com o Eintracht em 2022 e sabe o peso histórico de um título continental.
O período recente do Palace também tem capítulos felizes: além da histórica vitória sobre o Manchester City na final da Copa da Inglaterra, a equipe levantou a Community Shield diante do Liverpool e agora vive sua primeira grande aventura europeia até chegar à final da Conference League. O clube do sul de Londres contou com atletas decisivos ao longo da campanha, entre eles Jean-Philippe Mateta (atacante, Crystal Palace), Adam Wharton (meio-campista, Crystal Palace) e Ismaila Sarr (atacante/ala, Crystal Palace). A chegada de Brennan Johnson (atacante, Crystal Palace) em janeiro deu novo fôlego ao ataque, e ele vê a final como oportunidade de marcar o primeiro gol com a camisa do clube e selar a união do elenco. Esses nomes serão chamas a serem observadas na partida decisiva.
Da Bósnia a Wembley, a jornada do Palace
O empate por 1 a 1 na Bósnia contra o Zrinjski Mostar simbolizou o pior momento recente, mas também serviu de ponto de virada emocional para o elenco. Desde então, a equipe reencontrou equilíbrio e personalidade em jogos-chave, embalando resultados que a levaram até a decisão contra o Rayo Vallecano, marcada para nesta quarta-feira (27). A final representa não só a chance de um título, mas a consolidação do trabalho de Glasner à frente do clube, que transformou expectativas e reviveu a paixão da torcida. Em campo estarão, além dos nomes já citados, um coletivo que aprendeu a lidar com pressão e a responder nos momentos decisivos.
Para o treinador austríaco, que já provou capacidade em competições europeias, a despedida ideal seria erguer o primeiro troféu europeu da história do Crystal Palace e deixar um legado de ambição internacional. Do palco de Wembley às ruas de Londres, passando pelas vibrações de Selhurst Park, a narrativa do Palace nesta temporada mistura redenção, história e a chance de coroar um ciclo. Resta ao time transformar a experiência coletiva em futebol dentro das quatro linhas e dar aos torcedores — que já foram tão críticos quanto apaixonados — um motivo definitivo para celebrar.



