
Wesley, lateral da Roma, é o 17º cortado da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo, confirmado pela CBF neste domingo (7). O corte se deu por lesão e abre caminho para a convocação do volante Éderson, da Atalanta, que entra no grupo em substituição ao defensor. Este movimento marca a 17ª alteração feita pela Seleção antes do início de um Mundial e é a sexta vez em que um jogador de uma função é trocado por outro de posição diferente. A mudança mexe diretamente na leitura tática do treinador e na composição do elenco para o torneio.
Historicamente, cortes próximos ao Mundial já mudaram esquemas e deixaram episódios curiosos. Em 1970, o técnico Zagallo cortou o goleiro Leão, goleiro do Palmeiras, e reconfigurou seu elenco para a Copa do México; naquele time estavam nomes como Jairzinho, atacante do Botafogo, que se firmou como referência ofensiva. Em 1974, outra surpresa: o volante Clodoaldo, volante do Santos, lesionou-se e o substituto foi o atacante Mirandinha, do São Paulo, mostrando como lesões forçam escolhas táticas inesperadas. Esses episódios inauguraram um padrão em que lesões e decisões técnicas resultam em trocas que vão além da mera reposição de posição.
Na era mais recente, casos como o corte de Romário, atacante do Flamengo, em 1998 e a entrada do volante Émerson, do Bayer Leverkusen, evidenciam o mesmo dilema: priorizar atacantes ou reforçar o meio. Em 2002, o volante Emerson, então na Roma, saiu lesionado e deu lugar ao meia Ricardinho, do Corinthians. Em 2006, o zagueiro/volante Edmílson, do Barcelona, foi cortado e substituído pelo volante Mineiro, do São Paulo, em decisão do técnico Carlos Alberto Parreira. Essas trocas muitas vezes mudaram o rosto das campanhas brasileiras no Mundial e testaram a capacidade de adaptação de treinadores e jogadores.
Lista de cortes da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo
- 1970 – Rogério, atacante do Botafogo – entrou Leão, goleiro do Palmeiras
- 1974 – Wendell, goleiro do Botafogo – entrou Waldir Peres, do São Paulo; Clodoaldo, volante do Santos – entrou Mirandinha, atacante do São Paulo
- 1978 – Nunes, atacante do Santa Cruz – entrou Roberto Dinamite, atacante do Vasco (Gigante da Colina); Zé Maria, lateral-direito do Corinthians – entrou Nelinho, do Cruzeiro
- 1982 – Careca, atacante do Guarani – entrou Roberto Dinamite, atacante do Vasco
- 1986 – Mozer, zagueiro do Flamengo – entrou Mauro Galvão, do Internacional; Toninho Cerezo, volante da Roma – entrou Valdo, do Grêmio; Leandro, lateral-direito do Flamengo – entrou Josimar, do Botafogo (Glorioso)
- 1994 – Mozer, zagueiro do Olympique – entrou Márcio Santos, do Bordeaux; Ricardo Gomes, zagueiro do Paris Saint-Germain – entrou Ronaldão, do Shimizu
- 1998 – Flávio Conceição, volante do La Coruña – entrou o lateral Zé Carlos, do São Paulo; Márcio Santos, zagueiro do São Paulo – entrou André Cruz, do Milan; Romário, atacante do Flamengo – entrou o volante Émerson, do Bayer Leverkusen
- 2002 – Emerson, volante da Roma – entrou o meia Ricardinho, do Corinthians
- 2006 – Edmílson, volante do Barcelona – entrou Mineiro, volante do São Paulo
- 2026 – Wesley, lateral da Roma – entrou Éderson, volante da Atalanta
Contexto e impacto
Trocar um lateral por um volante, como ocorreu agora com Wesley e Éderson, muda a dinâmica do banco e as opções táticas do técnico na hora de escolher entre laterais de ofício, alas que atuam por dentro ou reforço do miolo de campo. Historicamente, decisões assim refletiram mais do que um nome: alteraram esquema, deram chance a alternativas inesperadas e, em alguns casos, definiram campanhas. Para a torcida, a notícia chega como um balde de água fria, mas a seleção precisa de ajustes rápidos antes do apito inicial do Mundial. O Maracanã e outras praças onde a Seleção costuma jogar viram muitos desses capítulos e seguem como cenário das discussões sobre escolhas e substituições.



