
O uniforme do Haiti foi alterado pela fornecedora Saeta, afirmou a empresa nesta quarta-feira (10 de junho de 2026), após avaliação da Fifa sobre elementos visuais do kit que poderiam violar regras sobre manifestações políticas.
A Saeta, marca colombiana responsável pelo material da seleção haitiana, disse que desenvolveu o design em parceria com a Federação Haitiana de Futebol e que a proposta buscava celebrar o orgulho, a resiliência e a história do país. Segundo a fabricante, a camisa trazia uma cena relacionada à guerra de independência do Haiti, com intenção comemorativa e cultural. Ainda assim, a empresa confirmou que acatou as modificações pedidas pela entidade máxima do futebol para que o uniforme fosse aprovado para uso no torneio.
Entenda o que a Fifa alegou
De acordo com a Saeta, durante o processo de aprovação de equipamentos a Fifa considerou que certos elementos visuais do uniforme poderiam ser interpretados como manifestação política, o que contraria seus regulamentos de equipamentos. A fabricante afirmou não ter concebido o design como declaração política, mas decidiu implementar as alterações solicitadas para obter a liberação do kit. A mudança foi justificada pela necessidade de cumprir as normas e garantir que a seleção pudesse entrar em campo sem problemas regulatórios. A ação da Saeta foi apresentada como cumprimento do procedimento e respeito ao órgão regulador.
Interpretação e repercussão
A Saeta disse que houve “interpretação diferente da intenção” e que respeitou o processo de revisão da Fifa, procedendo às modificações comunicadas pela entidade. Fontes oficiais da Fifa e da Federação Haitiana não se manifestaram publicamente de imediato sobre o caso. A alteração foi feita antes da estreia do Haiti no Mundial, marcada para jogar em Boston contra a Escócia; na segunda rodada do grupo, a equipe tem confronto previsto diante da Seleção Brasileira. A notícia provocou debate entre torcedores e especialistas sobre limites entre expressão cultural e regras esportivas.
Contexto e impacto
A Fifa mantém regulamentos que proíbem slogans ou símbolos de natureza política em equipamentos oficiais, exigência que aparece em processos de homologação de uniformes em Copas e torneios internacionais há anos. Pedidos de adequação de materiais por parte da entidade não são inéditos e costumam gerar tensão entre fornecedores, federações e torcidas, sobretudo quando o motivo envolve elementos identitários ou históricos. Para a Saeta, além do impacto de imagem, a prioridade foi assegurar que o time pudesse competir sem sanções, preservando o aspecto esportivo. Para os haitianos, a discussão teve relação direta com o orgulho nacional exibido em um palco global, e com a necessidade de conciliar memória e regulamento.
O que vem a seguir
Com o novo desenho aprovado, a seleção do Haiti poderá usar o uniforme na sequência da competição sem impedimentos formais, segundo a própria fornecedora. Resta acompanhar se haverá versões oficiais divulgadas ao torcedor e como a federação tratará a comunicação sobre o tema. No campo, o foco permanece nas partidas do Grupo C e na preparação da equipe para duelos como o de Boston e o encontro com o Brasil. O episódio segue como lembrete de que, no futebol global, detalhes de design podem virar pauta tão rápida quanto um gol no Maracanã.



