
Lei Vini Jr. aparece no centro da decisão: a Uefa anunciou nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, que não adotará a expulsão automática prevista pela regra da IFAB nas competições que organiza. A determinação vale para Champions League, Europa League e Conference League e foi comunicada oficialmente às associações-membro da entidade. Em vez de um vermelho imediato, os árbitros terão autonomia para avaliar o contexto de cada gesto e poderão aplicar cartão amarelo quando entenderem mais adequado. A mudança nasce após o incidente entre Vinícius Júnior (atacante do Real Madrid) e Prestianni (atacante do Benfica), que provocou ampla discussão sobre interpretação das ações em campo.
Decisão da Uefa
A Uefa deixou claro que não vai acatar a aplicação mecânica do cartão vermelho proposta pela IFAB e que a interpretação ficará a cargo dos árbitros em cada partida. A entidade afirma que a postura visa proteger a integridade das competições sem abrir mão da avaliação caso a caso, especialmente em jogos de alta tensão. O vermelho seguirá previsto para situações descritas como “claro confronto entre atletas de diferentes times”, mas cobrir a boca por si só não implicará expulsão automática. A mudança deve repercutir em partidas de fases de grupos e mata-mata, com impacto em decisões tomadas no Santiago Bernabéu e no Estádio da Luz.
Contexto e impacto
A regra da IFAB, aprovada em abril, surgiu na esteira do episódio envolvendo Vinícius Júnior e ganhou destaque quando foi aplicada na Copa do Mundo de 2026. Para jogadores brasileiros que atuam na Europa, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode gerar insegurança sobre procedimentos disciplinares e recursos. No Brasil, clubes e torcedores acompanham a decisão com atenção: a definição de critérios fora da aplicação automática pode influenciar debates sobre formação de árbitros e diretrizes da CBF. No Rio de Janeiro, essa discussão chega aos estádios como o Maracanã, onde torcedores e dirigentes observam precedentes internacionais com interesse e nervosismo.
Caso Prestianni
No episódio entre as equipes, Vinícius Júnior (atacante do Real Madrid) acusou Prestianni (atacante do Benfica) de racismo após o jogador do Benfica cobrir a boca enquanto se dirigia ao brasileiro durante o jogo entre as equipes. Após apuração, Prestianni foi suspenso por seis partidas, segundo as decisões publicadas pelas autoridades competentes, embora nenhum cartão tenha sido aplicado durante a partida em si. Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa e ex-árbitro, declarou em junho que “se for uma conversa amigável, eles podem continuar sem nenhum problema; quando se trata de um confronto, a história é completamente diferente”, sublinhando a importância de avaliar intenção e contexto. Para o futebol brasileiro, o caso reforça a necessidade de procedimentos claros de apuração em situações de discriminação e a atenção de clubes que têm atletas em competições europeias.



