TCU aponta riscos e falta de coordenação na organização da Copa do Mundo Feminina 2027

Copa 2027: TCU vê riscos e "falta de coordenação" em organização do Brasil | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Em meio aos impasses entre a FIFA e governos locais sobre a realização da Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez um levantamento apontando riscos e a chamada “falta de coordenação” na organização do evento. O diagnóstico do tribunal lista vulnerabilidades que vão do planejamento orçamentário à governança entre entes federativos e operadores privados. O ministro Jhonatan de Jesus cobrou uma coordenação clara entre poder público, estados, municípios, organizadores e operadores para reduzir esses riscos. A movimentação do TCU chega num momento em que a pressão por garantias aumenta, e o debate ganhou tom técnico e político nas últimas semanas. Como jornalista carioca, vejo que a preocupação ecoa entre clubes, torcidas e gestores que dependem dos mesmos estádios para calendários nacionais e continentais.

Calendário, sedes e impacto nas competições

O calendário prevê que a disputa aconteça entre 24 de junho e 25 de julho de 2027 em oito sedes, entre elas Maracanã, Arena Fonte Nova, Neo Química Arena, Castelão, Arena Pernambuco, Estádio Mané Garrincha e Beira-Rio. Esses equipamentos já são palco regular de Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e do Cariocão, o que exige um alinhamento entre clubes e organizadores para minimizar impactos nas temporadas. Maracanã, por exemplo, volta a ser central para grandes decisões e abriga clássicos do Flamengo e do Fluminense; São Januário e o Nilton Santos também terão papel importante na logística dos clubes cariocas. O TCU destaca a necessidade de um calendário operacional claro e de eventos-teste para evitar sobreposições e atrasos que prejudiquem torcedores e Federações. A complexidade aumenta quando se considera contratos de camarotes, logística de segurança e calendário esportivo nacional.

O que pede o TCU

O Tribunal determinou que o Ministério do Esporte elabore, em até 180 dias, um Plano Nacional de Legado da Copa do Mundo Feminina com metas, fontes de financiamento e mecanismos permanentes de acompanhamento. O documento do TCU também aponta lacunas no enfrentamento do assédio e do racismo nas arenas, cobrando protocolos padronizados e medidas de acolhimento. Entre as recomendações está a criação e padronização das chamadas Salas Lilás — espaços de acolhimento para mulheres vítimas de violência ou assédio — que, segundo o relatório, ainda não existem de forma homogênea nas arenas brasileiras. O tribunal pede mecanismos de monitoramento que transformem compromissos em ações concretas e permanentes, com transparência sobre financiamento e responsáveis. A exigência por metas claras e acompanhamento técnico busca evitar que promessas se percam no caminho entre discurso e execução.

Salas Lilás e proteção às mulheres

O relator reforçou que o tema das Salas Lilás já é debatido há mais de uma década, mas que a primeira sala inaugurada oficialmente só ocorreu em 2024, demonstrando atraso e desigualdade no acolhimento. O TCU destaca que a inexistência de protocolos padronizados para atendimento de vítimas dentro das arenas é um risco reputacional e de segurança, que precisa ser tratado como prioridade. Além da infraestrutura física, o tribunal pede capacitação de equipes, fluxos de denúncia e integração com serviços públicos de proteção. A falta de padronização pode comprometer não só a imagem do evento, mas a efetividade do legado em termos de inclusão e proteção. Para o TCU, isso exige políticas públicas permanentes e mecanismos de governança que garantam continuidade além do torneio.

TCU quer “atuar preventivamente”

No documento o Tribunal afirma que pretende atuar preventivamente na fiscalização para evitar os problemas de legado e orçamentários observados em eventos anteriores, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O relatório cita riscos como governança fragmentada, inexistência de plano de ações e calendário operacional, indefinição de responsáveis e falta de eventos-teste, que podem resultar em atrasos em cronogramas críticos. Para o TCU, o início antecipado de ações de planejamento é determinante para mitigar riscos operacionais, financeiros e reputacionais. A recomendação é que haja responsável único por coordenar decisões estratégicas entre entes e parceiros privados. A atuação preventiva busca garantir que as lições de grandes eventos passados se traduzam em planejamento e responsabilidade técnica desta vez.

Problemas em Brasília

A FIFA e a Arena BSB, administradora do Estádio Mané Garrincha, vivem tensão sobre exigências técnicas e operacionais para a Copa de 2027, e a disputa tem pontos práticos e contratuais. Em 24 de maio de 2026, a diretora-executiva de futebol da FIFA, Jill Ellis, enviou uma carta questionando se o estádio daria garantias de que problemas apontados em vistoria seriam sanados, sob risco de exclusão da programação. A principal questão refere-se ao uso de camarotes: a FIFA exige a disponibilidade plena das instalações e a administração do estádio afirma que muitos espaços já foram alugados por terceiros. Outro ponto sensível é a troca do gramado, que a entidade determina que ocorra até 50 dias antes do início da Copa, prazo que exige coordenação técnica e financeira. O Mané Garrincha foi reformado pela última vez em 2014, quando recebeu sete partidas, e as divergências em Brasília mostram como detalhes operacionais podem ameaçar a lista final de sedes.

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