
A seleção do Irã desembarcou neste domingo (14) no Aeroporto Internacional de Los Angeles após um curto voo vindo de Tijuana, no México, onde mantém sua base para a Copa do Mundo. A chegada ocorreu entre aplausos de apoiadores e manifestações de crítica, em uma cena que misturou futebol e política. A delegação saiu do terminal escoltada e seguiu diretamente para o hotel da equipe, sob forte esquema de segurança. A estreia da equipe será contra a Nova Zelândia, partida válida pelo Grupo G.
O Airbus A320 que trouxe a comitiva pousou na pista 25L às 17h11 (horário de Brasília), após uma segunda tentativa de aterrissagem. O Aeroporto Internacional de Los Angeles fica a cerca de 15 minutos do Los Angeles Stadium, que recebe partidas do torneio na região. Ao desembarcar, jogadores e comissão seguiram em comboio para o hotel, com escolta policial reforçada. Autoridades afirmaram que a logística foi organizada para priorizar segurança e mobilidade da delegação durante a estadia.
O técnico Amir Ghalenoei, comandante da seleção, e o atacante Mehdi Taremi (atacante, FC Porto) têm entrevista coletiva marcada no SoFi Stadium às 19h45 (horário de Brasília: 23h45), na véspera da estreia. A comissão técnica deve tratar da preparação e das medidas adotadas diante do cenário externo que vem ganhando destaque. Taremi, referência ofensiva do time, segue como principal opção no ataque e concentra atenção da torcida e da imprensa. A pauta do encontro incluirá rotina de treinos e segurança dos atletas.
Irã estreia na Copa em meio a tensão internacional
A partida contra a Nova Zelândia, válida pelo Grupo G, chega cercada de tensão e curiosidade em igual medida. As duas seleções nunca se enfrentaram em Copas do Mundo, o que adiciona um elemento histórico ao confronto. Para o Irã, o desafio técnico passa por manter foco tático diante de um ambiente externo que monopoliza atenções. A seleção neozelandesa, por sua vez, tem levado a campo um grupo organizado, pronto para explorar transições e bolas paradas.
No fim do mês passado, a delegação iraniana transferiu sua base de preparação do Arizona para Tijuana, no México, segundo relatos oficiais. A mudança foi definida após episódios que alteraram o planejamento original da equipe, levando a comissão a priorizar deslocamentos mais curtos e controle logístico. Alterações de base tão próximas ao início da competição podem mexer no ritmo de treino e recuperação dos jogadores, segundo especialistas em preparação física. A Federação justificou a decisão como necessária para garantir segurança e foco.
Enquanto a delegação seguia para Los Angeles, um grupo de manifestantes favoráveis à democracia no Irã realizou um protesto nas proximidades do estádio que receberá a partida. Cartazes com mensagens críticas ao regime e fotografias de pessoas que, segundo os organizadores, morreram após detenções foram exibidos pelos participantes. Os organizadores disseram que o objetivo era dar visibilidade a denúncias de violações de direitos humanos e apoiar familiares das vítimas. A presença dos manifestantes e a resposta das autoridades locais integraram o cenário que acompanhou a chegada da equipe.
Manifestantes pedem mudanças no Irã
Em depoimentos coletados no local, participantes citaram a morte de jovens manifestantes como uma das motivações do ato, segundo relatos das lideranças do protesto. Mojgan Ramezani, iraniano-americana de 56 anos, afirmou que o povo iraniano “está sendo mantido como refém”, ao explicar o apelo por mudanças no país. Hassan Haddadi, de 70 anos, disse estar frustrado com a falta de ações mais contundentes por parte da comunidade internacional. Comentários como esses deram tom político ao protesto, que foi acompanhado de perto pelas forças de segurança locais.
Apoio mexicano acompanha seleção iraniana
Horas antes da viagem a Los Angeles, a seleção recebeu uma despedida calorosa em Tijuana, com torcedores alinhados em frente ao hotel cantando “Team Melli”. Jogadores acenaram e registraram a cena, e um cartaz afirmou: “Irã, você nunca caminhará sozinho”, em demonstração de apoio. Um garoto foi visto segurando o álbum oficial de figurinhas da Copa do Mundo aberto na página dedicada ao Irã, imagem que resumiu a mistura de festa e emoção. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, acompanhou a saída da delegação enquanto torcedores seguiram o ônibus da equipe pelas ruas.
Los Angeles concentra maior comunidade iraniana fora do país
Los Angeles abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, o que torna a presença da seleção na cidade especialmente simbólica. A escala da equipe na metrópole americana foi recebida com sinais de apoio e com protestos, criando uma atmosfera complexa ao redor do time. Observadores lembram que, ao longo da história das Copas, questões políticas e esportivas por vezes se entrelaçaram, e o cenário atual segue essa tradição. Para os jogadores, no entanto, a prioridade será manter o foco na preparação e transformar a tensão externa em rendimento dentro de campo.



