Roberto Lopes quase perdeu vaga na Copa do Mundo de 2026 por mensagem ignorada no LinkedIn

Roberto Lopes vestindo o uniforme do Shamrock Rovers durante partida
Imagem: Divulgação / Reprodução

O zagueiro roberto lopes quase perdeu a vaga na Copa do Mundo de 2026 ao ignorar uma mensagem da federação de Cabo Verde enviada pelo LinkedIn. O defensor de 33 anos, apelidado “Pico”, atua pelo Shamrock Rovers, na Liga da Irlanda, e só respondeu ao contato depois de receber uma nova mensagem em inglês. A situação atrasou o processo de convocação e precisou ser resolvida rapidamente antes da estreia de Cabo Verde no Grupo H, marcada para segunda‑feira, 15 de junho de 2026. O caso chamou atenção por mostrar como um mal-entendido digital quase custou ao jogador a chance de disputar o Mundial.

Nascido na Irlanda e ligado ao país de origem do pai, Lopes recebeu a primeira mensagem em português e acreditou tratar-se de spam, segundo relatos do próprio jogador. Nove meses depois, a federação voltou a contatar o zagueiro em inglês e então ele finalmente entendeu o convite, usando ferramentas de tradução para confirmar a proposta. “Foi uma abordagem incomum”, disse Lopes em entrevista antes do torneio, explicando que também houve dificuldade da entidade em contatar seu clube. Quando percebeu a oportunidade, apoiou a ideia desde o primeiro momento e iniciou a documentação necessária para representar Cabo Verde.

Ascensão até a seleção

Com fama de defensor duro e resistente, Roberto Lopes construiu a carreira na Liga da Irlanda, defendendo clubes como Bohemian FC e Shamrock Rovers. Como poucos jogadores vindos dessa competição alcançam o cenário internacional, a trajetória de Lopes chama atenção pela singularidade: antes de optar por Cabo Verde, teve apenas uma partida pela Irlanda sub-19. Estreou pela seleção cabo-verdiana em 2019, na vitória por 2 a 0 sobre o Togo, e passou a ser peça importante na defesa da equipe. Aos 33 anos, traz experiência e presença física que poderão ser úteis diante de adversários de alto nível no Mundial.

“Fazer história” e o desafio do Grupo H

A classificação histórica de Cabo Verde para o Mundial foi confirmada com uma vitória por 3 a 0 sobre Eswatíni em outubro, resultado que encerrou um ciclo positivo para a seleção. Nos últimos anos, a equipe avançou fases na Copa Africana de Nações e passou a encarar seleções tradicionais do continente com outra postura, ganhando confiança. Com o aumento de vagas da África na Copa do Mundo, houve uma motivação adicional para a seleção tentar fazer algo inédito na competição. No sorteio, o time caiu em um Grupo H difícil, ao lado de Espanha, Arábia Saudita e Uruguai, e Lopes afirma que o objetivo imediato é ao menos avançar de fase.

Para o jogador e para Cabo Verde, a participação na Copa do Mundo representa a consolidação de um projeto de longo prazo e a chance de medir forças contra potências do futebol. O episódio do LinkedIn funciona como um alerta sobre a natureza atual dos processos de recrutamento internacional e sobre a atenção necessária por atletas com dupla nacionalidade. Em campo, Roberto Lopes deve brigar por uma vaga na zaga e aportar o peso de sua experiência pelos Shamrock Rovers e pela seleção. A estreia, em 15 de junho de 2026, será o primeiro teste real para saber até onde a equipe pode ir no torneio.

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