
Um estudo do grupo World Weather Attribution reacendeu o alerta sobre o calor na Copa do Mundo de 2026, tema que deixou o sindicato global dos jogadores preocupado. Segundo a análise, a probabilidade de partidas serem disputadas em condições perigosas para atletas e torcedores aumentou consideravelmente. A investigação levou em conta horários das partidas e o índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que avalia a capacidade do corpo humano de dissipar calor. Para a comunidade do futebol, incluindo quem vai ao Maracanã ou quem viaja para acompanhar a Seleção, a mensagem veio clara: planejamento e mitigação serão essenciais.
Riscos e números
O estudo aponta que cerca de um quarto das 104 partidas do torneio ampliado — ou seja, em torno de 26 jogos — podem ocorrer acima dos limites de segurança recomendados pela FIFPRO. Esse índice representa quase o dobro do risco observado na Copa de 1994, também realizada nos Estados Unidos. Os pesquisadores avaliaram os jogos cidade por cidade, levando em conta que várias sedes não têm sistemas de climatização em campo. Entre as cidades apontadas como de maior exposição estão Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.
A análise estimou que aproximadamente cinco partidas poderão ser disputadas em condições consideradas inseguras, cenário em que o adiamento seria recomendado pelas entidades médicas. A FIFPRO recomenda medidas de resfriamento quando o WBGT ultrapassa 26°C e defende o adiamento das partidas caso o índice supere 28°C, o que equivale a cerca de 38°C em clima seco ou 30°C em ambientes com alta umidade. As medidas citadas incluem pausa para hidratação, infraestrutura de resfriamento e protocolos médicos reforçados. Essas ações visam proteger jogadores, equipe técnica e os torcedores que enfrentam longos períodos ao ar livre.
A Fifa informou que vem planejando medidas específicas para o torneio, como pausas programadas em cada tempo, infraestrutura de resfriamento para atletas e público, além de adaptações nos ciclos de trabalho e descanso e reforço na preparação médica conforme as condições em tempo real. Especialistas envolvidos no estudo destacam que sistemas de climatização em alguns estádios reduziriam parte do risco, mas não eliminam a exposição de fãs em áreas externas ou em festivais da Copa. A gestão do calor passa, portanto, por uma combinação de infraestrutura, calendário e protocolos de saúde pública. Clubes e seleções precisarão monitorar a condição física dos atletas para evitar surpresas durante a competição.
Final no MetLife Stadium
A final, prevista para o MetLife Stadium, em East Rutherford, tem probabilidades preocupantes segundo o levantamento: o estádio apresenta cerca de uma em oito de chance de ultrapassar o limite de 26°C de WBGT e um risco aproximado de 3% de alcançar níveis considerados ainda mais perigosos. Esses números apontam para um cenário de atenção redobrada para organizadores e comissões técnicas. Pesquisadores sugerem que a realização de grandes partidas em períodos menos quentes do ano deveria ser considerada em futuras decisões de calendário. A discussão ganha força diante do crescimento das temperaturas médias nas regiões-sede.
Do ponto de vista do jogo, especialistas médicos e climatologistas divergem sobre o impacto direto na ocorrência de emergências, mas concordam que haverá influência no estilo de jogo: atletas de elite tendem a dosar o ritmo, buscando preservar o desempenho. Para o torcedor carioca que acompanha os clubes no Maracanã, São Januário ou no Estádio Nilton Santos, a imagem é familiar — calor muda o jogo, o técnico ajusta o banco e o time administra o ritmo. Em última instância, a combinação entre infraestrutura nos estádios, protocolos de resfriamento e adaptação das equipes será o que definirá se a festa será segura para jogadores e público.



