
A República Democrática do Congo estreia na Copa do Mundo na tarde desta quarta-feira (17) contra Portugal e chega ao torneio carregando um recorde negativo histórico: ainda como Zaire, sofreu a maior goleada de uma seleção africana em Copas, o 9 a 0 para a Iugoslávia em 1974. Esse peso do passado acompanha a delegação e aparece nos relatos sobre preparação e expectativa para a partida de hoje. O confronto coloca em pauta não só o desafio esportivo, mas também a memória de um episódio que misturou futebol, política e logística. Torcida e imprensa relembram 1974 enquanto o time busca escrever uma nova página.
Como foi a campanha na Copa de 1974
A vaga para o Mundial veio com o título da Copa Africana de Nações de 1974, quando o torneio também servia como classificatório direto. Naquele período o país era governado por Mobutu Sese Seko, e a participação entrou para a história por ser a primeira da África subsaariana em uma Copa do Mundo. No sorteio, Zaire caiu em um grupo duro, ao lado do Brasil, da Escócia e da Iugoslávia, seleções com mais experiência em competições maiores. Em campo, a diferença técnica e de ambientação ficou evidente diante dos europeus e dos sul-americanos que já frequentavam Mundiais.
Resultados e números da campanha
O balanço da passagem de Zaire pelo Mundial foi severo: três derrotas em três jogos, nenhuma bola na rede e 14 gols sofridos ao todo. A goleada de 9 a 0 para a Iugoslávia entrou para a lista das maiores derrotas da história das Copas e ofuscou a estreia no torneio. Contra o Brasil houve revés por 3 a 0, outro resultado que evidenciou a distância técnica entre as equipes naquele momento. Estatísticas simples — zero gols marcados e 14 sofridos — traduzem o drama esportivo da campanha.
O lance contra o Brasil e os bastidores
Entre os episódios lembrados, o mais famoso ocorreu no jogo contra o Brasil: Ilunga Mwepu (defensor, aposentado) saiu da barreira e chutou a bola antes da cobrança de falta de Rivelino (meia, aposentado). Na época, muitos interpretaram o lance como desconhecimento das regras; mais tarde o próprio jogador explicou que foi um gesto de protesto diante do caos vivido pela delegação. Relatos daquela participação apontam também problemas com premiações não pagas e forte pressão do regime sobre os atletas, fatores que compuseram um ambiente tenso nos vestiários e fora de campo.
Impacto histórico
A campanha de 1974 teve duplo efeito: marcou o pioneirismo africano nas Copas e, ao mesmo tempo, expôs fragilidades estruturais que muitos países do continente enfrentavam. O episódio de Zaire ficou como um alerta sobre a necessidade de organização, apoio institucional e proteção aos atletas frente a interferências políticas. Décadas depois, seleções africanas já conquistaram resultados mais consistentes em Mundiais, mas o 9 a 0 de 1974 segue como lembrança dura de um tempo em que futebol e contexto político se misturaram de forma traumática.



