
Maradona aparece citado de forma errada em uma placa do Museu da Fifa em Miami, que atribui a ele uma camisa de 1974. A mostra temporária “Unidad — The World’s Game”, instalada na Freedom Tower, expõe a trajetória das Copas e traz a peça em uma seção dedicada à Argentina. O erro chamou atenção porque Diego Armando Maradona — atacante argentino e ídolo da seleção argentina — só fez sua estreia oficial em 1977, não em 1974. A falha no rótulo reabre discussão sobre precisão histórica em acervos que celebram o futebol mundial.
Detalhes da exposição
A peça em questão é uma camisa com a identificação de que teria sido “de Maradona para um amistoso de 1974”. O rótulo aparece na seção argentina da exposição e diz respeito a uma narrativa das participações da Albiceleste em Mundiais. A mostra cobra ingresso de US$ 18 (R$ 93) e fica ao lado da Fan Fest em Miami, atraindo público internacional. Visitantes e colecionadores rapidamente apontaram a incoerência entre data e carreira do jogador.
Debut e dados corretos
Diego Armando Maradona fez sua estreia pela seleção argentina em 1977, entrando nos 25 minutos finais de um amistoso contra a Hungria na Bombonera, em Buenos Aires. Na ocasião ele tinha 16 anos e cinco meses; em 1974 tinha apenas 14 anos, portanto não poderia ter participado do jogo citado. A atuação de estreia rendeu menção na Revista El Gráfico: segundo a reportagem, Maradona ganhou nota 7 pela entrada em campo. O jornalista Juvenal descreveu a atuação como “atrevido, astuto, encarador”, frases que reforçaram a aura precoce do jogador. Esses fatos são bem documentados por historiadores do futebol e colecionadores de camisa.
Equívoco com fornecedor
O erro do rótulo vem acompanhado de outro deslize: a camisa exposta é da marca Le Coq Sportif, enquanto a Argentina usava Adidas em 1974. Le Coq Sportif só passou a figurar como fornecedor em anos posteriores, na transição entre as décadas de 1970 e 1980, o que torna a peça incompatível com a data indicada. Erros desse tipo são comuns quando acervos recorrem a peças raras sem documentação fotográfica precisa. A curadoria da mostra ainda não divulgou retificação formal até o momento da visitação.
Contexto e impacto
O lapso do Museu da Fifa ocorre num contexto em que a memória das Copas é cuidada com zelo por torcedores e instituições na América do Sul. Maradona, campeão do Mundial de 1986 e autor de 34 gols em 91 partidas pela seleção argentina, é figura central nessa memória e qualquer erro ganha repercussão no continente. Para o público brasileiro, acostumado a preservar acervos em espaços como o Maracanã e estádios históricos como São Januário e Nilton Santos, a precisão documental é um requisito básico. A correção do rótulo seria resposta necessária para historiadores, colecionadores e as torcidas que acompanham retrospectivas sobre as Copas.



