
O empate por 1 a 1 do Olympique de Marseille contra o Nice azedou o fim de semana no sul da França. O jogo, disputado no Stade Vélodrome, terminou com um pênalti aos 88 minutos após erro na saída de bola, e o clima entre atletas e comissão técnica ficou pesado. Fontes da imprensa francesa relatam que a tensão transbordou para o vestiário após o apito final. Para quem acompanha futebol, uma cena dessas diz muito sobre o nervosismo que ronda equipes em dificuldades.
O centro do atrito foi Himad Abdelli, meio-campista do Olympique de Marseille e da seleção da Argélia, que entrou aos 81 minutos e perdeu a bola que originou a penalidade. Habib Beye, técnico senegalês do Marseille, criticou o lance publicamente na entrevista coletiva e, segundo relatos, manteve o tom também no vestiário. “Você não pode entrar assim, os outros deram tudo”, teria dito Beye aos jogadores, cobrando atitude e entrega em campo. A cobrança inflamou Abdelli, que não se calou diante do treinador.
“Não fale assim comigo, você não é meu pai”, respondeu Himad Abdelli aos berros, segundo relatos do vestiário. O treinador retrucou: “Estou falando para todos, não só para você”, na tentativa de ampliar o recado ao elenco. Abdelli, que chegou ao clube em fevereiro vindo do Angers, foi direto: “Estou pouco me importando”, afirmou, em tom de insatisfação. A troca de farpas ganhou as manchetes na França e acendeu discussões sobre o ambiente interno do time.
Momento delicado
O Marseille atravessa fase aquém das expectativas e soma 53 pontos, ocupando a sexta colocação na Ligue 1. Está 16 pontos atrás do líder Paris Saint-Germain, que tem uma partida a mais, e cerca de quatro pontos atrás das vagas diretas para a Champions League, pressão que se reflete em decisões dentro e fora de campo. O Nice, adversário deste jogo, aparece na 15ª posição, o que ampliou o desconforto com o resultado em casa. A relação entre comissão técnica e jogadores passa a ser observada com atenção por torcedores e direção.
Além do resultado, para o Marseille fica a necessidade de gerir o elenco e evitar episódios que possam desestabilizar a reta final da temporada. A vibração no vestiário e as cobranças públicas colocam o técnico Habib Beye sob foco, enquanto atletas como Abdelli precisam resgatar a confiança rapidamente. Em clubes grandes, cenas como essa costumam ter reflexo em campo e fora dele, afetando clima interno e performance. Resta agora ao Marseille organizar-se, retomar os resultados e recuperar a tranquilidade no Stade Vélodrome.



