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Lucas Trejo, zagueiro do Club Sport Marítimo La Guaira, perdeu a esposa e dois filhos após os terremotos da semana passada, os mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século. O jogador argentino passou grande parte dos últimos dias vasculhando escombros em busca de Yanina e das crianças Aarón e Ainhoa, numa busca que mobilizou amigos, companheiros de clube e vizinhos. A tragédia atingiu diretamente a rotina do elenco do Marítimo La Guaira e expôs a fragilidade de comunidades costeiras como La Guaira. A notícia abalou o futebol local e gerou comoção nas redes e entre clubes do país.
Trejo estava em um centro de treinamento em Caracas quando os tremores ocorreram e correu imediatamente para sua casa em La Guaira, cerca de 29 km ao norte da capital. A casa da família foi praticamente destruída, segundo relatos de parentes, e as buscas pediam maquinário pesado para remover entulho e localizar possíveis sobreviventes. O cunhado do jogador afirmou que Trejo estava emocionalmente abalado diante da cena de destruição, que parecia não deixar nada restar do prédio à beira-mar. Amigos e colegas gravaram vídeos pedindo apoio e ajuda técnica para acelerar o resgate.
As autoridades venezuelanas informaram mais de 1.400 mortos e milhares desaparecidos após o tremor duplo, classificado pelo US Geological Survey como um raro “doublet” — dois grandes terremotos com apenas 39 segundos de intervalo. A catástrofe também atingiu atletas em formação: Yimvert Berroteran, jovem jogador da seleção sub-20 venezuelana, está entre as vítimas confirmadas, assim como outros jovens atletas que integravam categorias de base. Víctor Palacios e Razan Sijaa também foram relatados como mortos, segundo a federação e seus clubes, ampliando o impacto humano no futebol do país.
Enquanto a busca pelas vítimas ultrapassava as primeiras 72 horas — a janela mais crítica para salvamento — equipes locais alertavam para a necessidade de mais equipamentos e logística. Jogadores do Metropolitanos F.C. e outros clubes admitiram que havia máquinas insuficientes no local, o que limitava a velocidade dos resgates e aumentava a angústia das famílias. A perda irreparável da família de Trejo foi confirmada pelo próprio Club Sport Marítimo La Guaira em publicação nas redes do clube, que anunciou o luto e ofereceu apoio ao atleta. “Lucas, você não está sozinho. Sua família no Marítimo La Guaira está com você”, dizia a nota do clube, que também compartilhou uma foto da família.
https://x.com/MaritimoLG/status/2071266399784161280
Contexto e impacto no futebol venezuelano
O duplo terremoto tem potencial para interromper calendários e afetar competições locais, com clubes lidando com perdas humanas e infraestrutura danificada. Historicamente, desastres naturais em regiões com pouca resiliência urbana aumentam a dificuldade de reorganizar treinos e partidas, e a recuperação financeira de clubes menores tende a ser mais lenta. Isso coloca em risco jovens promessas e programas de base que já operam com orçamentos apertados, além de deslocar famílias de atletas para abrigos e centros de apoio. A federação e clubes terão que avaliar calendário e segurança para retomar competições quando houver condições mínimas de transporte e comunicação.
Repercussão entre clubes e solidariedade
Clube, colegas e rivais manifestaram apoio imediato a Trejo e aos clubes afetados, em mensagens e mobilizações locais, mostrando o lado humano do futebol diante da tragédia. Vídeos e postagens pediam ajuda técnica e doações, enquanto dirigentes discutiam a logística de apoio a jogadores desalojados. A situação abriu debate sobre assistência a atletas em países com estruturas frágeis diante de emergências e sobre a necessidade de protocolos para proteger profissionais do esporte e suas famílias. Em meio à dor, a mobilização do futebol venezuelano tem sido um elemento central para coordenar solidariedade e recursos.



