Júnior Moraes relembra dias de guerra na Ucrânia em entrevista

Júnior Moraes relembra guerra na Ucrânia: “Não tinha esperança” | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

O atacante aposentado Júnior Moraes (ex-Corinthians e naturalizado ucraniano) concedeu uma entrevista neste domingo, 19 de abril de 2026, em que voltou a contar a experiência de ter vivido em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022. O relato foi direto e impactante, vindo de quem viu a rotina virar guerra da noite para o dia. Moraes explicou como as primeiras horas e dias foram marcadas por caos, falta de informação e desespero. Em tom sereno, ele agradeceu a quem tentou ajudar na época, incluindo compatriotas e organizações internacionais.

Relato dos primeiros dias

Segundo Júnior, o início dos ataques transformou tudo: combustível sumiu, comida escasseou e as estradas foram fechadas em questão de horas. “Foi uma loucura: fui dormir em paz e acordei às 5h da manhã em guerra”, disse ele, descrevendo a frieza literal — temperaturas perto de -12°C — e o clima de incerteza. No terceiro dia, afirmou, já havia perdido a esperança de sair daquele lugar em segurança. O relato explica por que muita gente achou impossível organizar uma evacuação imediata diante do nível de ataques e do congelamento da infraestrutura.

Vida sob ataque e esforços para escapar

Moraes contou que as viagens de evacuação viraram jornadas perigosas e muito mais longas do que o normal por causa dos constantes ataques. Um trecho que ele descreveu teve previsão de oito horas e acabou levando 16, porque o trem precisava parar sempre que mísseis e bombas caíam nas imediações. Ele destacou também a união de pessoas no local e a mobilização de brasileiros que tentaram ajudar aqueles que estavam ilhados. O ex-atacante lembrou o medo real de morrer de frio ou fome caso a saída não se concretizasse.

Logística internacional e a saída para a Moldávia

Em depoimento, Júnior atribuiu a saída dele, de familiares e de outros brasileiros a uma operação articulada pela Federação Ucraniana de Futebol em conjunto com a Uefa. O presidente da Uefa ajudou a organizar a logística até a fronteira com a Moldávia, país vizinho que recebeu muitos refugiados na época. Moraes explicou que, sem essa ação coordenada, a situação das pessoas no local teria se agravado ainda mais. A narrativa confirma como o futebol e organizações do esporte às vezes atuaram como ponte em crises humanitárias.

Cobertura e contexto da entrevista

A entrevista foi ao ar no programa CNN Esportes S/A, apresentada por João Vitor Xavier, na edição de número 135 do programa. O bate-papo trouxe à tona não só o drama vivido por Júnior Moraes, atacante aposentado, mas também o papel de entidades e de cidadãos na tentativa de socorro durante o conflito. A conversa dialogou com temas maiores, como deslocamento forçado, logística de evacuação e apoio internacional. Para quem acompanha histórias de jogadores que viveram fora dos gramados, o relato de Moraes é um lembrete duro do que atletas podem enfrentar além do esporte.

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