
Nesta terça-feira (28/04/2026), a Fifa aprovou por unanimidade, durante seu 76º congresso no Canadá, uma mudança que endurece punições para atitudes de encobrimento de boca em discussões em campo. A nova orientação determina que o jogador que tentar ocultar o que diz ao ofender um adversário pode ser punido com cartão vermelho direto. A recomendação foi respaldada pela International Football Association Board (IFAB) e passa a valer a partir da Copa do Mundo, em junho. A decisão também prevê punição por abandono de campo, com possibilidade de derrota por W.O. para o time que sair em protesto.
O caso Prestianni x Vini Jr
O episódio que motivou o apelido informal da regra ocorreu na disputa entre Benfica e Real Madrid pela Champions League, quando Gianluca Prestianni (meia-atacante do Benfica) foi acusado por Vinícius Júnior (atacante do Real Madrid e da seleção brasileira) de proferir um insulto discriminatório. A transmissão flagrou Prestianni cobrindo a boca com a camisa durante a discussão, gesto agora enquadrado pela nova norma. Em nota nas redes sociais, o jogador do Benfica se defendeu alegando que o brasileiro interpretou mal o que teria ouvido. O caso foi analisado pelo Comitê de Controle, Ética e Disciplina da entidade europeia responsável, que apontou conduta discriminatória.
Implicações para competições e clubes
A regra terá efeito direto nas competições internacionais e também reverberará nos campeonatos nacionais, incluindo Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, onde confrontos tensos e cobranças emocionais são frequentes. Árbitros terão orientação para interpretar tentativas de encobrimento de fala como agravante passível de expulsão, o que pode alterar dinâmica de jogos no Maracanã, em São Januário e no Estádio Nilton Santos. Para clubes e comissões técnicas, a novidade exige atenção disciplinar mais rígida e preparação dos jogadores para evitar suspensões em jogos decisivos. A medida chega com debate sobre intolerância e conduta dentro das quatro linhas, e deverá reduzir episódios que hoje viram foco em redes sociais e tribunais desportivos.
Casos semelhantes e repercussão
Além do episódio entre Prestianni e Vinícius Júnior, a Fifa citou precedentes envolvendo abandono de campo em competições nacionais e continentais, como situações na Copa Africana de Nações que resultaram em decisões administrativas. A Corte Arbitral do Esporte (CAS) ainda analisa alguns desses episódios, e a nova regra pretende oferecer clareza para dirigentes, árbitros e clubes. Jogadores e treinadores agora têm um instrumento disciplinar a mais contra condutas que misturem ofensa e tentativa de ocultação do que foi dito, com impacto direto em escalações e estratégias em partidas decisivas.



