
Neste domingo (12), o Dérbi entre Corinthians e Palmeiras, realizado na Neo Química Arena, terminou empatado em 0 a 0 e foi marcado por episódios incomuns dentro e fora de campo. Aos 20 minutos do segundo tempo, um drone lançou um porco de pelúcia sobre o gramado e o árbitro Flávio Rodrigues de Souza interrompeu a partida. O zagueiro Gustavo Gómez (zagueiro, Palmeiras) recolheu o objeto, o lance gerou reclamações nas arquibancadas e o jogo foi reiniciado. No primeiro tempo, a partida já havia sido paralisada depois que linhas de pipa caíram no campo, aumentando a sensação de caos no clássico.
Paralisações e provocações
O episódio do drone virou foco nas tribunas e nas redes, reacendendo lembranças de episódios passados entre as torcidas. Em 2024, uma cabeça de porco foi arremessada no gramado, fato que resultou em punição ao clube alvinegro; a lembrança daquele episódio deixou o ambiente ainda mais tenso. As equipes sentiram o impacto da interrupção e o ritmo da partida ficou quebrado, com a arbitragem tendo de administrar reclamações e segurança. As imagens do porco de pelúcia circularam nas redes e motivaram notas oficiais dos dois clubes sobre segurança e investigação.
Cartões, agressões e boletins
O Dérbi, válido pela 11ª rodada do Brasileirão, teve lances duríssimos que culminaram em expulsões e queixas pós-jogo. André (atacante, Corinthians) foi expulso no primeiro tempo após gestos obscenos direcionados à torcida adversária, enquanto Matheuzinho (lateral-direito, Corinthians) recebeu cartão vermelho na segunda etapa por agredir Flaco López (atacante, Palmeiras). Ao fim do clássico, a confusão continuou fora das quatro linhas: o Corinthians informou que dois jogadores, Gabriel Paulista (zagueiro, Corinthians) e Breno Bidon (meio-campista, Corinthians), foram agredidos por seguranças do Palmeiras e devem registrar ocorrência no Juizado Especial Criminal (Jecrim) com apoio do departamento jurídico.
Acusações mútuas e racismo
Do outro lado, o Palmeiras acusou que um funcionário do Corinthians teria agido de maneira agressiva na área de acesso aos vestiários, quando um jogador se dirigia ao exame antidoping, e também afirmou que o caso será investigado pelas autoridades competentes. A partida ainda teve registro de racismo: o goleiro Carlos Miguel (goleiro, Palmeiras) foi alvo de injúrias raciais por parte de um torcedor, que o chamou de “macaco” logo após o palmeirense defender um chute do atacante Yuri Alberto (atacante, Corinthians). O episódio motivou protestos dentro do estádio e exigirá apuração das autoridades e da súmula da partida.
A Direção de ambos os clubes disse que vai colaborar com as investigações e que pediu medidas reforçadas de segurança para os próximos jogos no estádio. A Polícia e as comissões disciplinares da CBF e do campeonato deverão analisar vídeos e depoimentos para responsabilizar os envolvidos, enquanto a Federação local pode acionar sanções administrativas. O clássico mostrou que, além da disputa esportiva, há caminhos a percorrer na gestão de segurança e no combate a atos de violência e racismo nos estádios brasileiros.



