
Nesta sexta-feira (15 de maio de 2026), a China Media Group (CMG) — controladora da emissora estatal CCTV — anunciou que fechou um acordo com a Fifa para transmitir as próximas edições das Copas do Mundo. O pacote informado pela emissora inclui a Copa do Mundo masculina de 2026, o torneio de 2030 e as edições femininas de 2027 e 2031, garantindo uma janela ampla de cobertura para o futebol global na China continental. A confirmação veio a menos de um mês do início do mundial de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. O anúncio foi recebido com alvoroço nas redes sociais chinesas e levanta questões sobre sublicenciamento e distribuição digital no mercado asiático.
Segundo a CCTV, o CMG assegurou direitos exclusivos de mídia e sublicenciamento na China continental, abrangendo TV aberta, canais pagos e plataformas online e móveis. A China é apontada como detentora da maior base de fãs de futebol do mundo, com cerca de 200 milhões de seguidores do esporte, o que explica o interesse estratégico da Fifa no mercado. Historicamente, a seleção masculina chinesa participou apenas da Copa de 2002, enquanto o futebol feminino do país tem tradição maior, com oito participações em Mundiais e o vice-campeonato em 1999. A operação de transmissão na China costuma envolver grandes plataformas locais, como a Migu (da China Mobile), Youku e Douyin, que já foram parceiras em ciclos anteriores.
Fontes locais citadas pela imprensa chinesa indicaram que apenas os direitos da Copa de 2026 custaram cerca de 60 milhões de dólares — valor que foi reportado como aproximadamente R$ 300 milhões e ≈ €55 milhões. A Fifa não havia se manifestado publicamente no momento do comunicado da CCTV. O anúncio rapidamente liderou os assuntos mais comentados no Weibo, com mais de 27 milhões de visualizações em apenas 45 minutos, e torcedores expressaram alívio por terem a garantia de acesso às partidas. Comentários nas redes mostraram que a confirmação foi celebrada por fãs preocupados em ficar sem cobertura do torneio no país.
Processo demorado para conseguir os direitos de transmissão
O caminho até esse acordo foi longo: em ciclos anteriores a CCTV costumava assegurar os direitos com bastante antecedência e até sublicenciar trechos para plataformas digitais. Em 2018, a emissora estatal compartilhou direitos digitais ao vivo com a Migu e com a Youku, do grupo Alibaba, e no Mundial de 2022 o CMG ampliou a distribuição para parceiros como Douyin e diversas emissoras regionais. Relatos locais apontavam negociações paralelas envolvendo a Migu para um acordo de distribuição para a edição de 2026, e fontes diziam que os termos ainda estavam em discussão até recentemente. Para o mercado global de direitos esportivos, esses movimentos reforçam a importância da China como território-chave de monetização e audiência, ao mesmo tempo em que mostram a complexidade de lidar com múltiplas plataformas e sublicenças. Aqui no Rio, enquanto a bola rola no Maracanã e nos estádios da cidade, o desfecho dessas negociações mostra como o futebol virou produto com fluxos de transmissão cada vez mais internacionais.



