
Jovens em situação de rua de 28 equipes, representando mais de 20 países, se reuniram na Cidade do México para disputar a quinta edição do Street Child World Cup, torneio inspirado no formato da Copa do Mundo. O evento rendeu partidas intensas e discussões importantes sobre inclusão social, em um cenário que lembra a paixão pelo futebol que a gente vive no Maracanã. A presença de delegações de tantos cantos reforça o caráter internacional da competição e a ambição de dar voz aos adolescentes envolvidos. Para muitos participantes, o torneio foi tanto uma temporada esportiva quanto uma plataforma de expressão coletiva.
Presença do U2 e cerimônias em Texcoco
A competição teve início em 6 de maio, enquanto as semifinais e finais foram disputadas em Texcoco, nos arredores da capital mexicana, na quinta-feira (26). O baterista Larry Mullen Jr. comandou o sorteio inicial da primeira de quatro finais, gesto que aproximou a banda do ambiente esportivo. Bono, The Edge e Adam Clayton acompanharam as partidas à beira do campo, celebrando o esforço dos times e trocando palavras com jovens atletas. A combinação de música e futebol deu um tom especial às finais, fazendo do evento um encontro cultural além do esporte.
Foco nas demandas dos jovens
Apesar da presença de nomes famosos, os organizadores ressaltaram que o foco esteve nos jovens participantes e nas suas pautas. John Wroe, CEO e cofundador da Street Child United, disse à Reuters que o torneio busca ampliar a visibilidade das demandas de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Essa narrativa foi mantida ao longo de toda a programação, com debates e atividades que colocaram as vozes dos jovens no centro das atenções. A proposta é transformar a visibilidade em pressão política e ações práticas.
Pautas levantadas e workshops
Segundo os organizadores, a iniciativa pretende criar uma plataforma global para que esses jovens possam defender pautas como identidade, acesso à educação, proteção contra a violência e igualdade de gênero. Antes das finais, representantes das delegações participaram de um workshop ao lado do U2 e da presidente de uma organização parceira, discutindo temas considerados prioritários pelos participantes. As sessões de trabalho buscaram traduzir experiências individuais em reivindicações coletivas, com foco em políticas públicas e inclusão. Esse processo foi parte central da missão do torneio.
Impacto humano do encontro
Muitos jovens relataram à Reuters que uma das experiências mais marcantes do evento foi a oportunidade de conhecer pessoas de diferentes países que enfrentam realidades semelhantes. Trocar histórias, costumes e técnicas de jogo criou uma rede de apoio e compreensão que vai além do resultado em campo. Para alguns, foi a primeira viagem internacional; para outros, a chance de se colocar em destaque e reivindicar direitos básicos. O aspecto humano do torneio foi destacado por participantes e organizadores como o maior legado do encontro.
Resultados e show de encerramento
Nas decisões em campo, o Brasil conquistou o título masculino da divisão principal, enquanto o México venceu no feminino, confirmando bons trabalhos de base nas respectivas delegações. Já na divisão Shield, a Indonésia ficou com o título entre os meninos, e o Brasil levou a taça entre as meninas, mostrando diversidade de talentos espalhados pelo mundo. O encerramento contou com show do cantor e rapper Paul Russell, que apresentou um single ainda inédito e o sucesso internacional “Lil Boo Thang”, fechando o evento com música e celebração. Ao fim, a mistura de futebol, arte e ativismo deixou um recado claro: esporte pode ser plataforma de transformação social.



