
A bandeira da Arábia Saudita não é colocada no gramado durante a cerimônia de abertura da Copa e essa diferença chama atenção dos torcedores. Trata-se de uma medida adotada por respeito à inscrição religiosa que aparece no pavilhão saudita, a Shahada. O protocolo que envolve as bandeiras varia conforme o conteúdo simbólico de cada bandeira, e no caso saudita a tradição religiosa impede o contato do pano com o chão. A decisão é pautada pela própria sensibilização das delegações e pela prática de organizadores em evitar qualquer gesto visto como desrespeito.
Em jogos recentes, voluntários foram vistos erguendo a bandeira da Arábia Saudita, enquanto outras bandeiras eram simplesmente apoiadas no gramado. Houve também a adaptação no pavilhão do Uruguai para manter o protocolo visual alinhado, sem expor a bandeira saudita ao toque do solo. O mesmo cenário foi esperado para o duelo do time saudita no domingo, 21 de junho de 2026, quando a equipe entrou em campo sem que seu pavilhão tocasse a grama. A mudança é discreta, mas visível, e respeita preceitos religiosos apontados pelas próprias federações.
A bandeira da Arábia Saudita traz a declaração da fé islâmica, a Shahada: “não há outro Deus além de Alá, e Maomé é o seu mensageiro”. Na tradição islamita, tocar ou pisar sobre textos sagrados é considerado profano, motivo pelo qual o pano não é deixado sobre a água ou no chão. Por essa razão, organizadores optam por mantê-la elevada ou segura por pessoas específicas, evitando que a inscrição entre em contato com superfícies. A medida é uma combinação de respeito religioso e adaptação protocolar em eventos internacionais.
Como funciona a cerimônia de abertura
No protocolo adotado pela FIFA para cada partida, atletas das duas seleções, titulares e reservas, posicionam-se no círculo central do gramado para a execução dos hinos nacionais. Normalmente, as bandeiras dos países ficam apoiadas em cada lado do campo, formando o cenário oficial antes do pontapé inicial. Quando uma bandeira contém elementos religiosos ou textos considerados sagrados, a organização do jogo dialoga com a federação envolvida para ajustar a posição e a forma de exposição. Essas soluções incluem manter o estandarte em suportes, segurá-lo por voluntários ou adaptá-lo em estandartes que não toquem o solo.
Contexto e impacto
Há precedentes semelhantes com outras bandeiras que trazem inscrições religiosas, como a do Iraque, que exibe a frase “Allahu Akbar” (Deus é o Maior), e que também costuma receber tratamento diferenciado. Essas adaptações não alteram o cerimonial, mas exigem coordenação entre organizadores, delegações e quem monta a linha de jogo. No plano prático, a medida reduz riscos de incidentes interpretativos e demonstra sensibilidade cultural em plataformas globais como a Copa. Para torcedores, o gesto passa despercebido à primeira vista, mas tem grande significado para as delegações envolvidas e para o respeito à diversidade religiosa.
Em resumo, a não colocação da bandeira da Arábia Saudita no gramado é uma resposta simples e respeitosa a um conteúdo religioso presente no pavilhão. A solução adotada pelos organizadores busca conciliar o protocolo esportivo com práticas religiosas reconhecidas pelas próprias federações. Assim, o espetáculo segue preservando a dignidade simbólica de cada nação, sem comprometer a cerimônia ou a experiência dos torcedores. É mais uma demonstração de que, no futebol, detalhes protocolares carregam significado além da estética.



