
Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada em 24 de maio de 2026 mostra que a maioria dos brasileiros não está especialmente empolgada com a Copa do Mundo deste ano. O levantamento, apresentado por Ygor Sampaio, head de inteligência de marcas e hábitos de consumo da AtlasIntel, trouxe um retrato em que categorias como “nem animado nem desanimado”, “pouco animado” e “nada animado” somam a maior parte das respostas. Apesar disso, os dados também indicam que o evento mantém atração cultural: muitos afirmam que vão assistir e torcer pela Seleção. O resultado abre espaço para uma análise sobre hábitos de consumo e o papel da tradição no comportamento do torcedor.
- Muito animado: 5,3%
- Animado: 9,6%
- Nem animado nem desanimado: 35,3%
- Pouco animado: 17,7%
- Nada animado: 32,1%
Ao comentar o quadro, Ygor Sampaio destacou um paradoxo na relação do torcedor com a Copa. “Eu acho que existe um certo paradoxo que o brasileiro não está animado ainda para a Copa do Mundo, mas isso não é o suficiente para ele abandonar o evento. Cerca de 65% das pessoas afirmam que vão assistir à Copa do Mundo, elas pretendem assistir à Copa do Mundo, e 85% das pessoas afirmam que vão torcer para a Seleção Brasileira. Então, eu acho que o torcedor é muito mais motivado hoje por uma herança cultural de assistir ao evento da Copa do Mundo do que propriamente pelo ânimo e pela atmosfera que é criada nesse momento.” Essas observações ajudam a explicar como a tradição se sobrepõe ao entusiasmo momentâneo.
O pesquisador também detalhou a metodologia e o alcance da amostragem em suas explicações. “Nós ouvimos 964 pessoas. A nossa pesquisa segue nossa metodologia proprietária, o Atlas RDR, que é uma metodologia onde a gente aborda as pessoas nas redes sociais. Elas são convidadas para participar das nossas pesquisas. E aí, a partir disso, elas entram no nosso ambiente e a gente pergunta todas as informações relacionadas ao tema e também dados demográficos para entender quem é o respondente e conseguir trazer um dado que seja representativo para a população brasileira.” O tamanho da amostra e o método de seleção são pontos centrais para avaliar o peso das conclusões.
O cenário no Rio e o futebol carioca
No Rio de Janeiro, onde o futebol pulsa forte, a reação a esse tipo de pesquisa tem nuances históricas e culturais. As torcidas do Mengão, do Gigante da Colina, do Tricolor das Laranjeiras e do Glorioso mantêm uma identificação intensa com a Seleção e costumam acompanhar grandes competições em massa, seja no Maracanã, em São Januário ou no Nilton Santos. Ao mesmo tempo, o calendário apertado — com Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e, para alguns clubes, até disputas regionais como o Cariocão em anos específicos — divide a atenção do torcedor entre clubes e Seleção. Esse equilíbrio de atenções ajuda a entender por que o afeto cultural não se traduz automaticamente em entusiasmo explícito.
Metodologia e abrangência
A AtlasIntel informou que a pesquisa foi aplicada a 964 participantes usando a metodologia Atlas RDR, baseada em convites nas redes sociais. Segundo os responsáveis, além das perguntas sobre emoção e intenção de consumo, foram coletados dados demográficos para tentar dar representatividade ao universo pesquisado. Essa amostragem permite apontar tendências, mas sempre com cautela sobre extrapolações regionais e por faixa etária. Entender o perfil dos respondentes é crucial para interpretar até que ponto os índices refletem o sentimento real do torcedor brasileiro.
Em síntese, o levantamento revela que a empolgação explícita para a Copa de 2026 está baixa entre os entrevistados, mas a tradição e o hábito de assistir ao torneio permanecem fortes. Enquanto 65% dizem que pretendem ver a competição e 85% afirmam que vão torcer pela Seleção, o nível declaratório de animação fica concentrado em faixas menores. No Rio, como em outras praças do país, o torcedor tende a acompanhar o que importa: clubes e Seleção, alternando a atenção conforme a agenda dos campeonatos e os jogos que mobilizam o coração da torcida.



