
Faltando cerca de dois meses para o início da Copa do Mundo, o aumento nos preços das passagens tem tirado o sono de torcedores e autoridades. O cenário acende um sinal de alerta sobre quem vai se deslocar entre cidades-sedes e estádios, especialmente em rotas que ligam grandes centros a arenas como o MetLife Stadium e o Gillette Stadium. Torcedores cariocas que sonham em ver a seleção no Maracanã podem ter de replanejar viagens longas, com custos que vão além do valor do ingresso. A preocupação não é só do público: prefeitos e governadores têm questionado o modelo de custos para a segurança e transporte durante o evento.
O Comitê Organizador anunciou serviços extras e planos diferenciados para o transporte de fãs, mas os valores previstos acenderam críticas. Relatos indicam que a NJ Transit pretende cobrar mais de US$100 (≈R$500) por uma viagem ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, um salto que chega a ser sete vezes maior do que a tarifa cobrada em 2025. Historicamente, essa ligação custa cerca de US$12,90 (≈R$65), o que torna a diferença ainda mais gritante para quem vai ao estádio a partir da cidade. A multiplicação do preço nas rotas principais tem gerado alertas sobre o impacto nos custos totais da viagem para o torcedor.
O senador de Nova York Chuck Schumer foi duro nas críticas e classificou a postura como “extorsão”, argumentando que a Fifa recolherá bilhões enquanto custos são empurrados para estados e cidades. Schumer lembrou que a entidade deve arrecadar quase US$11 bilhões (≈R$55 bilhões) com o Mundial, e pediu que a Fifa assuma parte das despesas com transporte e segurança. A fala colocou pressão sobre acordos de hospedagem que, segundo ele, transferem encargos operacionais para governos locais. Para o torcedor comum, a queixa traduz a sensação de pagar a conta de um evento global que rende receitas milionárias à organização. O MetLife Stadium será palco de oito jogos, incluindo a estreia do Brasil contra Marrocos, em 13 de junho, e a final em 19 de julho.
“A Copa mais cara de todos os tempos”
Em Boston, o comitê local prevê ônibus especiais com mais de 20 pontos de embarque para o Gillette Stadium, com tarifa anunciada de US$95 (≈R$475) por assento. O serviço ferroviário entre o centro de Boston e o estádio está cotado em US$80 (≈R$400) ida e volta, aproximadamente quatro vezes o valor habitual, enquanto uma viagem similar para jogos de NFL custa cerca de US$20 (≈R$100). O Gillette receberá partidas de seleções grandes e até duelos de mata-mata, aumentando a demanda por transporte nesses dias de jogo. Integrantes de associações de torcedores vêm classificando o conjunto de taxas e tarifas como excessivo para uma competição que deveria facilitar o acesso da torcida.
O que isso representa para torcidas cariocas
Para quem vem do Rio, a equação financeira complica ainda mais o planejamento: o Brasileirão, a Copa do Brasil, a Libertadores e o Cariocão seguem em disputa e mobilizam viagens e despesas de clubes e torcedores. Mengão, Gigante da Colina, Tricolor das Laranjeiras e o Glorioso têm torcidas que costumam acompanhar seleções e amistosos, e qualquer aumento de custo pressiona famílias que planejam ida aos EUA. Estádios como o Maracanã, São Januário e o Nilton Santos viram as mesmas torcidas pagar por deslocamentos, ingressos e pacotes; o acréscimo do custo internacional amplia o peso no bolso. Ainda que as partidas da seleção brasileira no MetLife Stadium — incluindo a estreia contra Marrocos em 13 de junho — estejam longe das arquibancadas cariocas, a repercussão é imediata nas redes e nas conversas entre torcedores.
A discussão sobre quem arca com os custos de transporte segue em frente nas próximas semanas, com políticos e organizadores trocando pressões e explicações. A expectativa é que a Fifa, os comitês locais e operadores de transporte ajustem propostas para evitar gargalos e prejuízo ao torcedor. Até lá, sobra preocupação para quem planeja viajar: o preço da passagem pode transformar um sonho de ver a seleção em viagem cara demais. Torcida e autoridades vão acompanhar de perto qualquer anúncio de subsídios ou descontos que aliviem a conta.



