Presidente da federação iraniana exige garantias da Fifa para viajar à Copa

Presidente da Federação Iraniana exige garantias da Fifa para jogar Copa | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Pedido de garantias da FFIRI à Fifa

O presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, afirmou que a Fifa precisa oferecer garantias formais sobre o tratamento da delegação iraniana durante a viagem aos Estados Unidos para que o time participe da Copa do Mundo 2026. Taj disse, em entrevista à emissora estatal IRIB em 5 de maio de 2026, que a federação quer a certeza de que não haverá insultos contra símbolos do sistema iraniano, especialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Segundo o dirigente, sem essa garantia existe o risco de incidentes semelhantes ao ocorrido no Canadá, que poderiam resultar no retorno da delegação. A fala revela preocupação logística e diplomática às vésperas do Mundial, com implicações diretas na segurança e nas autorizações de entrada dos membros da comitiva.

Retorno do Canadá e cancelamento de visto

Uma comitiva da FFIRI, incluindo Taj, voltou da fronteira canadense na semana anterior após relatar tratamento desrespeitoso de autoridades de imigração ao tentar participar do Congresso da Fifa em Vancouver. Posteriormente, o governo canadense confirmou ao Parlamento que o visto do dirigente foi cancelado enquanto ele ainda estava em voo, citando vínculos com o IRGC. O Canadá classificou o IRGC como “entidade terrorista” em 2024, posição que reforça a tensão nas relações diplomáticas e afeta diretamente a movimentação de dirigentes e eventuais membros da delegação. A situação motivou um pedido público de esclarecimentos e garantias à Fifa por parte da FFIRI.

Convite da Fifa e reunião em Zurique

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, enviou uma carta lamentando os transtornos e convidou a federação iraniana para uma reunião em Zurique, marcada para 20 de maio, para tratar da preparação para o Mundial. Taj recebeu o convite e afirmou que buscará garantias claras sobre o tratamento da delegação nos Estados Unidos antes de confirmar a viagem. A posição da Fifa e o teor do encontro serão determinantes para dissolver a incerteza sobre a presença do Irã no torneio e sobre eventuais protocolos de proteção e acesso para dirigentes e staff.

Posição dos EUA e riscos à participação

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou nas últimas semanas que os Estados Unidos não se opõem à participação dos jogadores iranianos na Copa, mas que indivíduos com vínculos com o IRGC não serão admitidos no país. Taj, que já ocupou cargo de oficial do IRGC na província de Isfahan antes de chegar à administração do futebol, afirmou que a ausência de garantias sólidas pode levar a delegação a recuar na fronteira americana. “Nosso anfitrião é a Fifa”, disse o dirigente, ressaltando que espera responsabilidade clara do organismo para evitar episódios semelhantes ao do Canadá. A divergência entre a posição de autoridades americanas e a exigência da federação iraniana cria um impasse prático a poucas semanas do Mundial.

Preparação esportiva e calendário

Com o campeonato nacional do Irã suspenso, os jogadores que atuam no país estão concentrados em Teerã para preparação visando o Mundial. A federação tenta organizar ao menos um amistoso contra “uma equipe muito forte” na Turquia — o Irã já havia enfrentado Nigéria e Costa Rica no fim de março durante uma série de jogos preparatórios. A seleção iraniana está programada para disputar duas partidas da fase de grupos em Los Angeles e uma em Seattle, no torneio que será sediado por Estados Unidos, Canadá e México. O desfecho das negociações com a Fifa nas próximas semanas será crucial para assegurar a viagem e a participação da comitiva completa no Mundial.

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