
O comitê organizador da Copa do Mundo em Boston anunciou nesta segunda-feira (27) que o “tailgating” será permitido nas partidas realizadas na cidade, após um esclarecimento da Fifa sobre a prática. O termo refere-se à tradição norte-americana de torcedores se reunirem em estacionamentos para fazer churrasco, beber e confraternizar antes dos jogos. A medida vale para os eventos no Boston Stadium, que sediará sete partidas da fase final do torneio. A decisão pegou muita gente de surpresa e já movimenta debates sobre segurança e logística nas vésperas da competição.
O que mudou em Boston
Até então, orientações iniciais dos organizadores davam a entender que o “tailgating” poderia ser vetado, por conta de regras gerais de imagem e controle de público. A confusão se espalhou porque as normas da Fifa foram interpretadas de forma restritiva por algumas comissões locais. Em Boston, porém, o entendimento evoluiu à medida que se avaliou a legislação municipal e as capacidades do estádio para acomodar eventos externos. A autorização passa por exigências específicas de segurança e pelo cumprimento de limites de consumo e de uso de equipamentos nos estacionamentos.
O posicionamento da Fifa
A Fifa, por sua vez, esclareceu no início deste mês que não há uma proibição formal ao “tailgating”, mas lembrou que cada sede pode estabelecer regras próprias. Esse recado abriu espaço para que cidades como Boston ajustassem suas políticas conforme seus regulamentos de segurança pública. Para clubes e organizadores, o desafio é conciliar a tradição festiva com protocolos de controle de multidões e fiscalização. Em termos práticos, isso significa regras sobre horários, consumo de bebidas e equipamentos autorizados nos perímetros do estádio.
Nos Estados Unidos, o “tailgating” é parte da alma do espetáculo esportivo; aqui no Brasil a pré-festa toma outros formatos, mas a ideia de reunir a torcida antes do apito é semelhante. Torcedores do Mengão, do Gigante da Colina, do Tricolor das Laranjeiras e do Glorioso sabem bem que encontros fora do estádio movem o clima dos clássicos, seja no Maracanã, em São Januário ou no Nilton Santos. Em jogos de Brasileirão, Copa do Brasil e Cariocão, a preparação começa horas antes, com churrasco, cantoria e combinações para chegar ao estádio. Ainda assim, a infraestrutura nos arredores do Maracanã costuma exigir autorização formal para eventos em estacionamento, com regras claras sobre segurança e saneamento.
Para o torcedor carioca, a novidade de Boston vira assunto de bar e de rede social, trazendo à tona histórias de churrascos improvisados e caravanas rumo ao estádio. Alguns comparam a descontração americana com a tradição carioca de reunir a galera em pontos próximos aos estádios antes de clássicos ou partidas decisivas. A diferença prática é que, enquanto em Boston há espaços oficiais nos lotes para o “tailgating”, no Rio clubes e a prefeitura costumam regular com mais rigidez por causa do trânsito e da vizinhança. Ainda assim, a essência é a mesma: a festa começa antes do jogo, com histórias e cantos que embalam cada rodada do Brasileirão e da Libertadores.
O anúncio de Boston encerra uma incógnita sobre o que era permitido e sinaliza que tradições locais podem conviver com grandes eventos, desde que haja regras claras. Resta agora acompanhar como serão definidas as normas de segurança, horários e consumo para que a festa não vire problema operacional. Para as torcidas do Rio, fica o convite de observar como outras praças organizam a pré-festa e quais lições podem ser trazidas para as nossas arquibancadas. A Copa do Mundo, sediada pelos Estados Unidos em conjunto com Canadá e México, passa a influenciar conversas sobre cultura de torcida mundo afora.



