Sindicato português diz que suspensão de Prestianni deve servir de exemplo contra discriminação

Sindicato espera que Prestianni sirva como exemplo contra discriminação | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores de Portugal, afirmou que a suspensão imposta a Gianluca Prestianni deve servir como exemplo contra qualquer forma de discriminação no futebol. Prestianni, atacante do Benfica, foi punido após episódio envolvendo Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid. Evangelista comparou a gravidade dos insultos homofóbicos à do racismo e pediu que casos assim sejam tratados com rigor por todas as entidades. A fala do sindicalista teve como pano de fundo a decisão anunciada pela Uefa em 24 de abril de 2026.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente reforçou que comportamentos discriminatórios “não têm lugar no futebol” e que devem ser punidos com firmeza. Ele pediu rapidez e rigor nos processos disciplinares para que a justiça seja feita sem prolongar inúteis debates. O sindicato, segundo Evangelista, defendeu desde o início a presunção de inocência do jogador e a necessidade de apuramento célere dos factos. Para ele, o que se espera agora é que a punição sirva de alerta e tenha efeito pedagógico.

Evangelista listou várias formas de intolerância — racismo, homofobia, xenofobia — e disse que todas merecem repúdio e sanção. “Quem tiver estes comportamentos tem de ser penalizado”, afirmou, destacando que a credibilidade do futebol passa por respostas claras a incidentes desse tipo. O sindicalista também sublinhou a importância de preservar os direitos processuais dos envolvidos durante as investigações. A posição do sindicato acompanha a tendência de endurecimento das punições em casos de discriminação no esporte europeu.

A punição

A Uefa anunciou em 24 de abril de 2026 que Gianluca Prestianni, atacante do Benfica, recebeu suspensão de seis jogos por conduta discriminatória, classificada como homofobia. A decisão foi tomada pelo Comitê de Controle, Ética e Disciplina da Uefa, que detalhou a motivação do castigo no comunicado oficial. A penalidade vale para competições organizadas pela entidade europeia, como a Champions League, e a Uefa informou que pedirá à Fifa a extensão da sanção para torneios internacionais. Caso a Fifa acate o pedido, o jogador poderia ficar fora de partidas organizadas pela entidade máxima, inclusive em uma eventual convocação para fases iniciais da Copa do Mundo.

Prestianni, de 20 anos e atacante do Benfica, já cumpriu uma partida de suspensão, ficando fora do jogo de volta dos playoffs da Champions League no Santiago Bernabéu, contra o Real Madrid. A pena de seis jogos significa que o jovem perderá compromissos relevantes pelo clube em competições europeias e nacionais até que a suspensão seja cumprida. A aplicação da medida reflete uma política mais dura das autoridades do futebol contra condutas discriminatórias. Clubes e federações passaram a ser mais cobrados pela torcedor e por órgãos de proteção aos direitos humanos.

A acusação

O caso começou no duelo de ida entre Benfica e Real Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, quando Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid, denunciou ter sido alvo de insultos discriminatórios. A transmissão mostrou um momento de discussão em que o jogador do Benfica aparentemente encobriu a boca com a camisa, o que motivou apurações posteriores. Prestianni negou as acusações e, em nota pública nas redes sociais, afirmou que o brasileiro “infelizmente interpretou mal o que acredita ter ouvido”. Até o fechamento desta reportagem, o Benfica não havia divulgado posicionamento oficial sobre a suspensão.

O episódio reacende debates sobre a conduta dentro de campo e a necessidade de protocolos claros para lidar com denúncias de discriminação. Para sindicatos, autoridades e parte da sociedade, a aplicação de punições exemplares é caminho para reduzir ocorrências e proteger atletas. A disputa entre Benfica e Real Madrid, e suas consequências disciplinares, mostram que a tolerância zero tem se tornado prática nas instâncias do futebol europeu. Resta agora acompanhar se a Fifa estenderá a sanção e como os clubes seguirão tratando casos semelhantes.

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