Trabalhadores do SoFi Stadium ameaçam greve por presença do ICE na Copa

Funcionários de estádio da Copa do Mundo ameaçam greve por presença do ICE | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Um sindicato que representa cerca de 2 mil trabalhadores da alimentação do SoFi Stadium afirma exigir que a Fifa mantenha a Agência de Imigração dos EUA (ICE) longe das operações da Copa do Mundo em Los Angeles e alerta para a possibilidade de greve. O Unite Here Local 11 reúne cozinheiros, garçons e bartenders que atuam no estádio e diz que a categoria segue sem contrato de trabalho às vésperas do torneio. A entidade colocou três demandas centrais sobre a mesa: exclusão do ICE das operações, proteção aos empregos sindicalizados e medidas para moradia acessível. A preocupação ganhou força pelo calendário da competição, que tem partidas no estádio já em junho, segundo o sindicato. A mobilização levanta uma discussão ampla sobre direitos trabalhistas em grandes eventos esportivos.

  • Compromisso público de que ICE e Patrulha de Fronteira não terão papel no torneio;
  • Proteção aos empregos e condições de trabalho;
  • Apoio à moradia acessível para trabalhadores da hospitalidade.

ICE terá papel “fundamental” na Copa, diz diretor

O diretor interino do Departamento de Segurança Interna, Todd Lyons, afirmou que agências federais terão papel fundamental na segurança do torneio em Los Angeles, declaração que intensificou a reação do sindicato. Segundo o Unite Here Local 11, a presença do ICE pode intimidar trabalhadores, muitos deles imigrantes, gerando receio sobre a segurança e a estabilidade no emprego. A Fifa e a Kroenke Sports & Entertainment, proprietária do SoFi Stadium, não se manifestaram oficialmente sobre o pedido de garantias até o momento. Além da questão da presença de agências federais, o sindicato pede garantias de que inteligência artificial e automação não serão usadas para eliminar vagas sindicalizadas.

SoFi Stadium receberá 8 jogos da Copa

O SoFi Stadium, em Inglewood, será palco de oito partidas da Copa do Mundo, incluindo a estreia dos Estados Unidos contra o Paraguai em 12 de junho. O sindicato vinculou suas demandas ao alto custo de moradia na região e pede medidas como restrições a aluguéis de curto prazo e um fundo habitacional para trabalhadores da hospitalidade. Kurt Petersen, copresidente do Unite Here Local 11, afirmou que a Fifa e patrocinadores lucrarão bilhões enquanto se recusam a reconhecer os trabalhadores que tornam o evento possível. Segundo a entidade, pedidos de reunião com a Fifa existem desde a escolha de Los Angeles como sede e, na visão do sindicato, foram ignorados.

Repercussão e paralelo no futebol brasileiro

A discussão em Los Angeles chama atenção também no Brasil, onde debates sobre condições de trabalho em eventos esportivos já mobilizam torcida e imprensa nas praças do futebol carioca. Em estádios como Maracanã, São Januário e Nilton Santos, a relação entre organizadores, clubes e trabalhadores costuma ser observada de perto sempre que há eventos de grande porte. Torcedores do Rio acompanham com interesse as medidas que protejam quem trabalha nos bastidores do espetáculo, assim como as decisões de organizadores internacionais em responder a reivindicações trabalhistas. Resta ver se Fifa e responsáveis pela operação vão apresentar garantias concretas antes do pontapé inicial em junho.

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