Técnico do Marrocos critica formato da Copa do Mundo após classificação

Mohamed Ouahbi em coletiva, gesticulando e com expressão crítica durante o Mundial
Imagem: Divulgação / Reprodução

O formato da Copa do Mundo foi criticado pelo técnico da seleção do Marrocos, Mohamed Ouahbi, após a equipe garantir vaga na segunda fase como segunda colocada do Grupo C. Ouahbi afirmou que a ampliação para 48 seleções deixou situações de tabela mais frágeis, já que o Marrocos caiu diante da Holanda logo nas oitavas. O confronto está marcado para esta segunda-feira às 22h em Monterrey, no México (00h de Brasília). O treinador disse que a equipe já sabia dos riscos, mas deixou clara a insatisfação com o desenho do torneio e com as diferenças de informação entre seleções.

Críticas do treinador

Mohamed Ouahbi evitou dizer que o sistema é injusto, mas reconheceu que há pontos a ajustar no regulamento. O técnico destacou que Marrocos somou sete pontos na fase de grupos, o mesmo número do Brasil na mesma chave, e ainda assim acabou enfrentando um adversário de peso cedo na fase eliminatória. Ele comentou que times que jogaram em dias diferentes tiveram vantagens distintas, citando o exemplo de seleções que souberam seus destinos antes de entrar em campo. A sequência de jogos e as janelas temporais, para Ouahbi, tornaram o processo “complicado” e por vezes desigual.

Sugestão de mudança

O comandante sugeriu a adoção de um modelo similar ao da Champions League, com partidas acontecendo simultaneamente, para reduzir a vantagem de quem conhece resultados prévios. Ouahbi admitiu, porém, que essa solução esbarra nos direitos de transmissão e em limitações logísticas, o que torna a implementação difícil. Ainda assim, defendeu que o formato atual tende a precisar de refinamentos para garantir mais equidade entre seleções. O treinador considerou que não existe solução mágica, mas que o debate é legítimo e necessário.

Comparação e impacto

A ampliação do torneio para 48 seleções, implementada no ciclo atual, trouxe mais oportunidades para países menores, mas também criou novas tensões sobre calendário e equilíbrio competitivo. Com mais jogos e combinações possíveis, crescem as situações em que uma seleção pode depender de resultados de terceiros ou de horários diferentes para saber o que precisa para avançar. Especialistas já apontaram que jogos simultâneos reduzem a assimetria de informação, mas a negociação comercial e os contratos de TV complicam essa alternativa. O resultado é um debate técnico e político que deve continuar ao longo do torneio.

Implicações para seleções

Para as equipes, o cenário exige mais planejamento e consciência tática, já que a margem de erro é menor em chaves emboladas. Seleções que terminam em segundo ou terceiro podem ter trajetórias bem distintas dependendo do cruzamento, o que impacta a preparação física e a estratégia de confronto. A crítica de Ouahbi reflete a preocupação de técnicos que veem desvantagem quando a ordem e os horários dos jogos favorecem alguns rivais. Nacionalmente, o debate afeta federações e organizadores interessados em manter competitividade e legitimidade na competição.

Próximos passos

Enquanto cresce a discussão sobre o formato, o foco das equipes segue na bola: o Marrocos encara a Holanda nesta segunda-feira em Monterrey e busca avançar diante de um adversário tradicional. Ouahbi e sua comissão técnica têm a missão de transformar a insatisfação em desempenho em campo, independentemente das arestas do regulamento. Depois do jogo, é provável que o tema volte à mesa das conversas entre técnicos e dirigentes, sobretudo se situações semelhantes voltarem a ocorrer nas fases seguintes. O debate sobre ajustes segue vivo, com impacto direto no calendário e na experiência das seleções e torcidas.

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