
O futebol do Marrocos vem se afirmando como potência emergente, e a evolução do futebol do Marrocos ficou evidente no empate contra o Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2026. A seleção, liderada por jogadores formados em boa parte na academia do Rei Mohammed VI, exibiu organização tática e qualidade técnica. Dos 26 convocados para o Mundial, 19 não nasceram em solo marroquino, resultado de uma política deliberada de identificação de talentos na diáspora. Esse conjunto de investimento em estrutura e captação explica a rápida elevação do país no futebol internacional.
A estratégia de longo prazo começou em 2010, quando o Rei Mohammed VI inaugurou uma academia com centro de pesquisa para revelar novos talentos. Com seis campos principais e cerca de 9 mil m² de estrutura esportiva e educacional, o espaço reuniu instalações que antes eram escassas no país. Além dos campos, há refeitórios, dormitórios e um centro médico com clínicas e fisioterapia, incluindo balneoterapia. A integração entre formação escolar e esportiva virou diferencial no projeto de base.
Investimento na educação
A academia aceita crianças a partir dos 12 anos e mantém a rotina de estudos enquanto desenvolve a parte técnica. O local oferece laboratório de informática, dez salas de aula e programas de línguas, preparando atletas para saírem mais completos do que apenas jogadores. O acompanhamento educacional busca reduzir a evasão e profissionalizar o processo de formação, combinando treino e instrução. Esse modelo de conciliação entre escola e esporte foi apontado como uma das bases do sucesso das seleções das diferentes idades.
Captação de talentos “internacionais”
A academia trabalha também a captação de jovens nascidos fora do Marrocos, convencendo talentos da diáspora a optar pela seleção nacional. Exemplo claro é Achraf Hakimi (lateral-direito, Paris Saint-Germain), uma liderança técnica da equipe, e Brahim Díaz (meia-atacante, Real Madrid), que se tornou peça recorrente no meio-campo. Esses casos ilustram como a federação foi além das fronteiras para montar um elenco competitivo. Na estreia contra o Brasil, um jovem de 18 anos, citado pelo comando técnico, foi destaque no meio-campo e recebeu elogios pela maturidade em campo.
Marrocos colhe os frutos
Os resultados começaram a aparecer em competições importantes: em 2022 o Marrocos alcançou o melhor resultado de sua história ao terminar em 4º lugar na Copa do Mundo no Catar. A trajetória continuou com a conquista da Copa das Nações Africanas em 2026, em final polêmica contra o Senegal, segundo relatos da competição. Em torneios de base, os marroquinos também foram competitivos: chegaram às quartas de final da Copa do Mundo Sub-17 e, no Mundial Sub-20 de 2025, venceram a Argentina na decisão. Na Olimpíada de Paris 2024, o time sub-23 ficou com o bronze, confirmando que a produção da academia tem reflexo em resultados internacionais.
O avanço marroquino tem impacto além das taças: foi a primeira seleção africana a alcançar as semifinais de uma Copa do Mundo em 2022, o que reposicionou o país no radar de clubes europeus e agentes. A combinação de investimento em infraestrutura e estratégia de captação da diáspora criou um modelo replicável em outras federações africanas que buscam resultados rápidos. Para o futebol mundial, o Marrocos prova que políticas de formação e vínculo com clubes europeus podem transformar seleções em prazos curtos. Para seleções como as sul-americanas, inclusive o Brasil, a presença de seleções africanas fortes amplia o nível de exigência nas competições oficiais.
Destaques do Marrocos na Copa
Entre os nomes de maior destaque está Yassine Bounou (goleiro, Al-Hilal), que garantiu economia e segurança sob as traves desde a campanha de 2022. Achraf Hakimi (lateral-direito, Paris Saint-Germain) é referência ofensiva pela direita e soma velocidade e qualidade de passe ao sistema. Brahim Díaz (meia-atacante, Real Madrid) dá técnica e mobilidade ao setor de criação, ligando meio e ataque com inteligência. Além desses pilares, a rotação do elenco tem jovens promissores que já despertam interesse de clubes europeus, fortalecendo a profundidade do grupo.
Com o que se viu até aqui, o Marrocos chega à Copa do Mundo de 2026 com o melhor elenco de sua história e ambição de incomodar os gigantes do futebol. A combinação entre jogadores experientes em grandes clubes e jovens formados na nova academia dá equilíbrio ao time. O desafio agora é sustentar o projeto em alto nível e transformar a notoriedade em títulos consistentes. Se mantiver o ritmo, o país seguirá como referência do futebol africano nos próximos anos.



