Taça da Copa do Mundo: valor, história e quantas réplicas existem

Taça da Copa do Mundo sobre pedestal em exposição
Imagem: Divulgação / Reprodução

A taça da Copa do Mundo é objeto de culto entre torcedores e atletas, e seu valor material e simbólico desperta curiosidade mundo afora. O troféu atual, usado desde 1974, é alvo de regras rígidas da entidade máxima do futebol e de medidas de segurança que impedem que o campeão fique com a peça original. Nesta reportagem explico as medidas, o preço estimado, a existência de réplicas oficiais e episódios curiosos que marcaram sua história. O enfoque é factual e traz também o significado do troféu para o futebol brasileiro, seja na Rua São Januário, no Nilton Santos ou no Maracanã.

A peça original

A taça da Copa do Mundo mede 36,8 centímetros de altura e foi concebida pelo escultor Silvio Gazzaniga, representando dois braços que sustentam o planeta. A peça contém cerca de 3 quilos de ouro 18 quilates e há menções técnicas que apontam peso total de aproximadamente 6,175 quilos. A FIFA já estimou o valor do material em cerca de 300 mil dólares, equivalente a aproximadamente R$ 1,5 milhão nas cotações amplamente divulgadas na época. Por razões de preservação do design e segurança, a entidade passou a restringir o deslocamento da taça original, que hoje só sai da sede para cerimônias oficiais e fotos no gramado.

História e um herói improvável

O troféu que conhecemos foi adotado a partir de 1974, substituindo a antiga Taça Jules Rimet, que trazia a imagem de Niké, a deusa grega da vitória. A Jules Rimet viveu incidente célebre em 1966, quando foi roubada em Londres e reapareceu graças a Pickles, um cachorro que encontrou a peça embrulhada em jornais — episódio que virou lenda. A antiga taça sofreu outros furtos e contratempos ao longo das décadas, o que alimentou a preocupação com a proteção de troféus e a mudança de regras por parte da FIFA. Esses episódios históricos ajudam a entender por que a atual taça recebe proteção quase que palaciana em grandes finais.

O roubo da Jules Rimet no Brasil

Para o futebol brasileiro, a história da Jules Rimet tem um capítulo doloroso e cinematográfico: o troféu foi entregue em definitivo ao Brasil após o tricampeonato de 1970 e guardado na sede da CBF no Rio de Janeiro. Em 1983, a peça foi roubada em um assalto que durou minutos e nunca mais foi recuperada oficialmente, segundo relatos públicos da época. A versão mais aceita diz que a taça foi derretida e transformada em barras de ouro, embora persistam teorias sobre venda no mercado clandestino. O episódio deixou marcas na memória do torcedor e reforçou a necessidade de segurança em torno de objetos que carregam tanto valor simbólico.

A noite das três taças no Catar e réplicas oficiais

Na final da Copa de 2022, no Catar, uma cena curiosa deu a volta ao mundo: além da taça original e da réplica oficial entregue ao campeão, circularam pela festa no gramado cópias não oficiais levadas por torcedores. A imagem de Lionel Messi com uma taça nos braços fez a rodada das primeiras páginas, e a visão das três taças juntas virou símbolo da festa e da emoção do título. Paralelamente, a FIFA comercializa réplicas autorizadas em diferentes tamanhos, incluindo miniaturas e cópias da antiga Taça Jules Rimet, voltadas a colecionadores e torcedores que querem ter em casa um pedaço dessa história.

Contexto e significado para o futebol brasileiro

Para o torcedor do Rio e do país, a taça transcende o objeto: ela sintetiza campanhas, estádios e gerações — desde os jogos no Maracanã até as conquistas que ficaram na memória da massa. Clubes cariocas como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo lutam por glórias nacionais e continentais que também passam pelo símbolo do troféu, mesmo que em competições diferentes como a Libertadores e a Copa do Brasil. A proteção e a comercialização de réplicas mostram como o futebol transforma metal e design em memória coletiva e como cada exposição em estádios históricos ou museus reverbera entre as torcidas. Numa cidade que respira bola, a taça é lembrada com respeito e aquele misto de saudade e desejo que todo torcedor conhece bem.

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