A única seleção eliminada na Copa sem sofrer gols: o caso da Suíça

Apenas uma seleção já foi eliminada de Copa sem sofrer gols; relembre | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Há coisas no futebol que a gente só vê de vez em quando: chegar à Copa do Mundo é para poucos e, disputar o torneio sem levar gol, é raríssimo. Em 22 edições, só uma seleção conseguiu esse feito até hoje. Foi a Suíça, no Mundial de 2006, na Alemanha, uma campanha defensiva que virou curiosidade histórica. Vou recontar essa trajetória com o calor de quem gosta de bola e de memória esportiva.

No total, os suíços ficaram 390 minutos sem serem vazados, disputando quatro partidas sem sofrer gols no tempo regulamentar e na prorrogação. A eliminação acabou vindo nas oitavas contra a Ucrânia, após empate em 0 a 0 e derrota por 3 a 0 na disputa de pênaltis. Antes disso, a estreia trouxe um 0 a 0 contra a França, que depois chegou à final, e a fase de grupos teve vitórias por 2 a 0 sobre Togo e Coreia do Sul. É um resultado que mistura orgulho defensivo e frustração por não avançar no mata-mata.

Campanha da Suíça em 2006

Na fase de grupos, o empate com a França chamou atenção pela solidez tática: enfrentar Zidane e companhia e segurar o 0 a 0 não é pouca coisa. As vitórias sobre Togo e Coreia do Sul por 2 a 0 deram consistência e mostraram um time capaz de resolver sem abrir mão da defesa. Nas oitavas, a batalha contra a Ucrânia foi truncada, com o jogo decidido apenas nas penalidades, onde a sorte não favoreceu os suíços. Assim, a Suíça saiu invicta no tempo normal, mas fora da competição.

Heróis e números

O nome que ficou na lembrança foi Pascal Zuberbühler, goleiro (aposentado), responsável por fechar a meta por 390 minutos naquele Mundial. Ao lado dele, Philippe Senderos, zagueiro (aposentado), deu presença física e leitura de jogo na defesa; e Alexander Frei, atacante (aposentado), era a referência ofensiva com passagens por clubes europeus como o Borussia Dortmund no currículo. Esses jogadores ajudaram a construir um bloco muito compacto, com estatísticas defensivas que ainda hoje soam raras. Mesmo com essa solidez, o futebol mostrou que pênaltis e detalhes decidem destinos.

“Depois de cada jogo e de cada torneio, sempre fazia uma autoanálise: o que poderia fazer melhor? Voltei para casa e não tinha nada para analisar. Psicologicamente, não foi tão fácil. Quase desejei ter cometido um erro. Mas não sofrer gols em quatro jogos… Não foi fácil.”

Legado

O legado daquela Suíça é curioso: um recorde defensivo que virou capítulo da história das Copas, sem troféu para coroar. No calor das arquibancadas, seja no Maracanã ou em qualquer estádio, a gente sabe que defesa sólida vale ponto, mas torcida quer taça. Os números falam por si — quatro partidas, 390 minutos, nenhum gol sofrido — e ficam como lembrança de um time sincronizado e de um Mundial que reservou à Suíça esse lugar único. Para quem gosta de futebol, é daquelas histórias que se contam com orgulho e um pouco de nostalgia.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *