Especialista alerta risco ‘real e elevado’ de atentados na Copa de 2026

Há chance “real e elevada” de terrorismo na Copa, diz especialista | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

A Copa do Mundo a ser disputada entre Estados Unidos, México e Canadá chega com uma sombra de risco que não dá pra ignorar. O especialista José Ricardo Bandeira, presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, afirma que a possibilidade de um atentado durante o torneio é “extremamente real e elevada”, e não fala por falar: a conjuntura internacional e ameaças isoladas pressuram os planos de segurança. Atletas, delegações, turistas e moradores das cidades-sede estão no foco dessas preocupações, e a presença das torcidas brasileiras — do Mengão ao Glorioso — só amplia a atenção sobre logística e proteções. Em campo, a bola rola; fora dele, as autoridades tentam blindar um evento que vai mover milhares de pessoas e milhões em infraestrutura.

Falta dinheiro?

Um dos pontos que acende o alerta é o atraso na liberação de recursos federais destinados à segurança: US$ 625 milhões chegaram tardiamente aos cofres das autoridades americanas, comprometendo ritmo de compra e implementação de tecnologias. Bandeira lembra que um esquema de segurança eficiente passa por monitoramento aéreo, drones, satélites, checagem biométrica e barreiras físicas, da porta do aeroporto ao acesso aos estádios; por isso, ele estima que seriam necessários valores na casa dos bilhões de dólares para operação plena. As 11 cidades americanas que receberão partidas entre junho e julho precisam acelerar aquisições e treinamentos para que o sistema funcione em harmonia entre níveis municipal, estadual e federal. Sem esse aporte em tempo hábil, equipamentos e contratos fundamentais podem ficar aquém do planejado, gerando riscos operacionais.

Irã pode boicotar a Copa

A participação da seleção do Irã voltou a ficar em dúvida após pedidos da federação iraniana para transferir jogos ao México, enquanto a organização do torneio dá sinais de que manterá o calendário. Os iranianos estão no Grupo G e têm confrontos previstos contra Nova Zelândia, Bélgica e Egito em cidades como Los Angeles e Seattle, o que gera debate sobre segurança de delegações em solo norte-americano. Bandeira ressalta que serviços de inteligência internacionais têm sinalizado riscos específicos para a comitiva iraniana, sobretudo pela possibilidade de ataques de extremistas hostis em solo americano. O tema divide opinião pública e entidades, mas intensifica a necessidade de medidas especiais para proteger atletas e delegações.

Terrorismo digital

Além da ameaça física, há preocupação crescente com o terrorismo cibernético, uma ponta que pode derrubar sistemas críticos sem disparar um único projétil. Bandeira alerta para organizações que atacam redes, podendo afetar malha aérea, sistemas de monitoramento, GPS e veículos não tripulados, com impacto direto na logística dos jogos e no deslocamento de torcedores. Interrupções em comunicações ou controle de tráfego poderiam gerar caos em aeroportos e estradas, ampliando riscos já existentes em grandes eventos. Por isso, a defesa cibernética entra como prioridade nas operações conjuntas entre órgãos de segurança e provedores de tecnologia.

Estrutura americana

Os Estados Unidos carregam experiência e estruturas reforçadas desde o 11 de setembro, com políticas e agências dedicadas à prevenção de atentados, mas a coordenação entre diferentes níveis de governo é essencial. Bandeira destaca que a integração entre municípios, estados e governo federal é o caminho para monitorar células e ações coordenadas, mas que o grande desafio continua sendo identificar os chamados “lobos solitários”. Atos individuais, sem ligação clara a organizações, dificultam investigações e exigem inteligência preventiva e vigilância comunitária. Sem essa união de esforços, pontos vulneráveis passam a ser explorados por atores que preferem agir de forma isolada.

O “calcanhar de Aquiles”

O México aparece no radar como um ponto mais sensível em termos de segurança: o país terá três sedes e abre a competição, e fatores locais elevam o risco percebido pelas autoridades. A morte do chefe do cartel Nueva Generación conhecida como “El Mencho” desencadeou episódios de violência que acenderam alerta em âmbito internacional, e a facilidade de acesso a áreas perimetrais em algumas cidades mexicanas é apontada como um fator que pode facilitar incursões. Especialistas ponderam que grupos criminosos ou atores externos poderiam optar por agir no México antes de tentar incursões em solo americano, usando rotas e fragilidades locais. Esse cenário obriga a Fifa e as autoridades mexicanas a reforçar barreiras e integração com parceiros internacionais.

Como estão os preparativos?

Relatórios de inteligência e documentos produzidos por autoridades federais e estaduais apontam riscos reais, incluindo ameaças a infraestruturas de transporte e possibilidade de distúrbios ligados a tensões políticas. A liberação tardia de recursos complicou cronogramas: aquisição de equipamentos, licitações e treinamentos que costumam levar meses passaram a correr contra o relógio. Ainda que esforços sejam feitos para normalizar a distribuição dos valores e intensificar a coordenação, fontes citam que o período até junho será apertado para completar todas as etapas operacionais. A lista de preocupações inclui desde ataques coordenados até ações isoladas que podem causar grandes transtornos em dias de jogo.

Atrasos e disputa política

O impasse político também entrou no jogo: democratas responsabilizaram a então secretária de Segurança Interna pela retenção de verbas, e a disputa sobre prioridades e fiscalização de imigração ganhou espaço nas discussões. Em 2025 houve retenção de recursos destinados a estados e ao Distrito de Columbia, segundo relatos citados por autoridades, o que alimentou o debate sobre motivações e consequências práticas. A Casa Branca respondeu com críticas aos democratas, enquanto reafirmou o objetivo de fazer do torneio um evento grande e seguro. Paralelamente, medidas migratórias mais duras e operações do ICE elevaram a atenção sobre como a política interna pode repercutir no clima de segurança durante a competição.

Eventos paralelos sob atenção

Além dos jogos, espaços de grande público como os Fifa Fan Festivals também estão no radar das forças de segurança, pois concentram torcedores e celebram partidas ao ar livre. Um festival planejado para o Liberty State Park, em Jersey City, foi cancelado em fevereiro de 2026 e substituído por eventos menores, medida que, segundo fontes, teve motivos logísticos e de segurança. Autoridades locais comparam a operação de cada partida do torneio à organização de um Super Bowl, e ressaltam a necessidade de todos os dólares e recursos disponíveis para garantir proteção eficaz durante os 104 jogos. No fim das contas, o alerta é geral: o desafio é montar um quebra-cabeça de segurança que proteja estádios, fan zones, transporte e, claro, a festa do futebol que milhões esperam ver em campo.

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