
A Confederação Africana de Futebol (CAF) oficializou nesta terça-feira (17) a revogação do título da seleção do Senegal na Copa Africana de Nações 2025 e declarou Marrocos campeão. A decisão do Comitê de Apelação chega depois de um recurso que contestou a postura dos senegaleses durante a final disputada em Rabat no dia 18 de janeiro. O veredito converteu o resultado em vitória por W.O. para os marroquinos, com placar estabelecido em 3 a 0. A decisão reacende o debate sobre aplicação do regulamento e o papel da arbitragem em finais de torneios internacionais.
O que motivou a revogação
Segundo o Comitê de Apelação, a seleção do Senegal infringiu os artigos 82 e 84 do regulamento da competição ao abandonar o gramado em protesto contra a marcação de um pênalti. Esses artigos preveem derrota automática para equipes que se recusam a continuar uma partida ou saem do campo sem autorização da arbitragem antes do apito final. Mesmo retornando 14 minutos depois e com gol de Pape Gueye (meio-campista, seleção do Senegal) na prorrogação, o lance foi anulado pela CAF por entender que a continuidade da partida havia sido comprometida. Para a entidade, a conduta da equipe configurou violação que invalida o resultado obtido em campo.
Sanções e efeitos práticos
Multas, suspensões e decisões revistas
Nas semanas seguintes à final, a CAF aplicou punições a jogadores e membros das delegações, motivadas pela avaliação de violação dos princípios de fair play e de interferência na arbitragem. Entre as medidas, algumas penalidades foram revistas após apreciação do recurso apresentado pelas partes envolvidas. A multa de 100 mil dólares (aproximadamente R$ 521 mil) imposta ao jogador marroquino Ismael Saibari (meio-campista ofensivo, PSV Eindhoven e seleção do Marrocos) foi cancelada, e sua suspensão foi reduzida de três para um jogo. Ainda assim, a CAF manteve a multa de 100 mil dólares aplicada ao Marrocos por tentativa de interferência no processo do VAR por parte de jogadores e dirigentes.
Recursos e desdobramentos
Em nota oficial, a Confederação reafirmou que o recurso foi julgado com base no cumprimento estrito das normas da competição e no compromisso de garantir a integridade regulatória dos torneios africanos. A Federação Senegalesa de Futebol anunciou que levará o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), com sede na Suíça, na tentativa de reverter a decisão do Comitê de Apelação. O governo do Senegal também solicitou uma investigação internacional independente, classificando o veredito como suspeito e apontando possíveis indícios que precisam ser esclarecidos. Agora, a atenção do mundo do futebol está voltada para os próximos passos legais e para o impacto que essa controvérsia terá sobre a imagem da CAF e sobre a própria edição da Copa Africana de Nações 2025.


