Pedro Sánchez condena cânticos islamofóbicos em amistoso entre Espanha e Egito

Primeiro-ministro da Espanha condena islamofobia contra Egito | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

O amistoso entre Espanha e Egito, realizado no RCDE Stadium, em Cornellà, terminou 0 a 0 e ficou marcado por cânticos de cunho antimuçulmano vindos de uma parcela da torcida espanhola. As ofensas começaram já no aquecimento e persistiram em diferentes momentos da partida, deixando jogadores e espectadores visivelmente desconfortáveis. A imagem do jogo foi manchada por gritos como “quem não pular é muçulmano”, usados para provocar os adversários. Em campo, a partida seguiu sem gols, mas fora dele a repercussão foi imediata e gerou indignação em nível internacional. A situação reacende debates sobre comportamento de torcidas e responsabilidades de clubes e organizadores.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou o episódio como “inaceitável” e afirmou que não se pode permitir que uma minoria incivilizada manche a imagem da Espanha. Em mensagem nas redes sociais, ele deu apoio às vítimas e elogiou quem age com respeito em prol de um país mais pluralista. A declaração do premiê veio acompanhada de pedidos para que autoridades e clubes investiguem os fatos e tomem medidas preventivas. Organizações de direitos humanos e entidades do futebol acompanharam o caso, reforçando a necessidade de punições a atos discriminatórios. Episódios assim têm impacto direto na credibilidade do esporte e na segurança dos estádios.

Yamal se manifesta

Lamine Yamal (atacante/ala, Barcelona) foi outra voz presente no episódio e deixou o campo visivelmente incomodado ao fim do primeiro tempo, sendo substituído e dirigindo-se aos vestiários. Pelo seu perfil oficial, o jovem jogador repudiou os cânticos: “Sou muçulmano, Alhamdulillah. Ontem, no estádio, ouviu-se o cântico ‘quem não pula é muçulmano'”. Ele ressaltou que, mesmo sabendo que a provocação era direcionada ao time rival, a utilização da religião como piada é falta de respeito e demonstra ignorância. Yamal agradeceu o apoio recebido e afirmou que o futebol deve ser espaço de convivência e respeito, mencionando que quer seguir representando seu clube e seleção sem esse tipo de violência verbal.

O episódio em Cornellà reforça alertas sobre medidas de segurança e combate ao discurso de ódio nos estádios, que vão desde ações das federações até campanhas educativas junto a torcidas organizadas. Num país com tradição futebolística forte, como a Espanha, as reações políticas e esportivas tendem a ser rápidas e incisivas, e o caso deve ser acompanhado pelas entidades responsáveis. No Brasil, incidentes do tipo lembram a necessidade de vigilância também em praças como o Maracanã e o Nilton Santos, onde respeito e diversidade precisam ser preservados. A investigação deverá apontar responsáveis e eventuais punições, enquanto o debate sobre tolerância segue nas arquibancadas e nas redes.

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