Fifa cria categoria frontal de ingressos para a Copa 2026 e inflaciona preços

Nova categoria de ingressos para Copa deve custar mais de R$ 20 mil | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

A Fifa adicionou a tal da “front category” ao seu site de vendas, elevando o teto dos ingressos para a Copa do Mundo de 2026 e acendendo o sinal de alerta entre os torcedores. A nova classificação coloca assentos privilegiados bem acima dos valores que vinham sendo praticados, em um Mundial que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho. Para o público brasileiro, a mudança chega em um momento em que a conversa sobre custo de ida ao estádio já é frequente nos clássicos e nos compromissos internacionais do país. A decisão reforça a sensação de que ver futebol ao vivo em alto luxo virou artigo de alto custo. Apesar das críticas, a Fifa continua com a promessa de lotação para todas as 104 partidas do torneio.

Um exemplo direto dessa escalada aparece na venda para Inglewood: o ingresso “front category 1” para Estados Unidos x Paraguai em 12 de junho foi listado por US$ 4.105, o que, na cotação considerada pela própria plataforma, equivale a R$ 20.622. Antes, o preço máximo da categoria 1 girava em torno de US$ 2.735 (R$ 13.739), e houve também um nível intermediário, o “front category 2”, com bilhetes a US$ 2.330 (R$ 11.705) para a mesma partida. Outra estreia da rodada, Canadá x Bósnia e Herzegovina em Toronto, viu ingressos “front category 1” oferecidos por até US$ 3.360 (R$ 16.879). Esses saltos nos valores têm sido apontados por torcedores como distanciadores da experiência de ver a Copa ao vivo.

Preços altos e reação dos torcedores

A retomada de vendas em março trouxe mais dores de cabeça: a Fifa aumentou o ingresso mais caro da final para US$ 10.990 (R$ 55.210), valor bem acima do praticado após o sorteio do torneio em dezembro, quando o topo estava em US$ 8.680 (R$ 43.605). A plataforma enfrentou problemas técnicos na reabertura, o que só ampliou a insatisfação geral. Diante da pressão dos torcedores, a entidade havia incluído em dezembro um nível chamado supporters-tier, pensado para ampliar acesso, mas os pacotes premium seguiram ganhando espaço no catálogo de vendas. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, manteve a expectativa de esgotamento para os 104 jogos, mesmo com as críticas sobre a acessibilidade.

Impacto para o torcedor brasileiro

Para o torcedor do Rio, acostumado a pagar caro em clássicos no Maracanã ou a acompanhar o Mengão, o Gigante da Colina, o Tricolor das Laranjeiras e o Glorioso nos campeonatos nacionais e regionais, a conta para viajar a um Mundial na América do Norte pode ficar proibitiva. Além do ingresso, há passagens, hospedagem e deslocamentos entre cidades-sede — despesas que se somam a um ingresso que, no caso das categorias frontais, já passa de R$ 20 mil em alguns jogos. A realidade afeta igualmente quem acompanha Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e até o Cariocão, pois a referência de custo-benefício muda quando a comparação é com partidas em São Januário, Nilton Santos ou no próprio Maracanã. Em termos práticos, a nova estrutura de preços altera a equação de quem sonha ver a Copa de perto e pode reduzir a presença massiva de torcidas brasileiras nas arquibancadas do torneio.

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