
Deschamps e as pausas para hidratação
O treinador Didier Deschamps comemorou a vitória da França sobre o Brasil por 2 a 1 no amistoso disputado em Boston nesta quinta-feira (26), mas não deixou passar em branco a polêmica das pausas para hidratação. As paradas ocorreram tanto no primeiro quanto no segundo tempo da partida e, segundo a organização, serão usadas em todos os jogos da Copa do Mundo deste ano devido ao calor do verão no Hemisfério Norte. Deschamps disse que a medida é útil para quem transmite a partida, mas que altera o ritmo: “É boa para vocês, que transmitem…, mas muda o futebol ter esses 3 minutos. Se a equipe está em um bom momento, esses 3 minutos estragam tudo”, afirmou. O técnico ainda resumiu a sensação prática: “A gente acaba jogando quatro períodos, mesmo que sempre exista o intervalo”.
Contexto da seleção francesa
Deschamps assumiu o comando da Seleção Francesa em 2012 e levou o país ao título mundial em 2018, na Rússia, tornando-se um dos poucos a conquistar a taça como jogador e técnico. Nesta quinta, após o triunfo sobre o Brasil, ele reiterou preocupação com a quebra de sequência de jogo causada pelas paradas para hidratação e com o impacto no desempenho coletivo. A adoção das paradas na Copa do Mundo foi justificada pelas condições climáticas previstas para o torneio, mas já provoca debates entre comissão técnica, jogadores e organizadores. Segundo a imprensa francesa, este Mundial deve ser o último de Deschamps no comando dos Bleus, e há rumores sobre seu futuro após o torneio, embora nada tenha sido oficialmente confirmado pela federação. O tema das pausas passa, assim, do aspecto médico para o campo das estratégias e do calendário internacional.
E reflexos para o futebol do Rio
O debate sobre pausas para hidratação também ecoa no Brasil e no Rio de Janeiro, onde clubes enfrentam calor e mandam jogos em Arenas históricas como o Maracanã, o Nilton Santos e São Januário. Se medidas parecidas fossem discutidas em competições que envolvem times cariocas — Cariocão, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores —, as equipes teriam de ajustar preparação física, trocas e ritmo de jogo. Clubes como Flamengo (Mengão), Fluminense (Tricolor das Laranjeiras), Vasco (Gigante da Colina) e Botafogo (Glorioso) já trabalham rotinas específicas para o calor em treinos e partidas, e os responsáveis por preparação física acompanharão qualquer decisão sobre novos intervalos. No fim, a discussão reúne medicina esportiva, logística e o próprio estilo do jogo: a pausa protege o atleta, mas muda a dinâmica que técnicos e torcedores tanto prezam.



