
A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou que implementará mudanças e melhorias em seus estatutos e regulamentos para evitar a repetição das cenas consideradas “farsescas” na final da Copa Africana de Nações, disputada em janeiro. O presidente da entidade, Patrice Motsepe, afirmou que as alterações vão reforçar a confiança em árbitros, operadores de VAR e nos órgãos judiciais da confederação, mas não detalhou quais medidas concretas serão adotadas. O anúncio foi feito após reunião do comitê executivo da CAF, realizada neste domingo (29) no Cairo, e ocorreu em um dia turbulento para a organização, marcado também pela renúncia de seu secretário-geral. A decisão surge com o objetivo explícito de recuperar a credibilidade da entidade junto a torcedores, clubes e federações.
O que a CAF anunciou
Motsepe afirmou que a CAF buscou amplo aconselhamento jurídico com alguns dos principais advogados e especialistas africanos e internacionais em futebol, para alinhar estatutos e regulamentos às melhores práticas globais. O dirigente destacou a parceria com a Fifa para a formação contínua de árbitros, operadores de vídeo e comissários de partidas, com o objetivo de elevar o nível ao padrão das principais ligas do mundo. Ainda assim, o presidente não apresentou detalhes específicos sobre as mudanças nem explicou como pretende evitar a repetição da polêmica da final. A ausência de prazos e medidas concretas deixa dúvidas sobre o alcance das reformas prometidas.
A polêmica da final
A controvérsia que motivou o anúncio tem origem na final disputada em Rabat, em 18 de janeiro, quando o Senegal chegou a vencer por 1 a 0 na prorrogação. Durante a partida, a equipe senegalesa deixou o campo em protesto contra a marcação de um pênalti potencialmente decisivo para o Marrocos, retornou ao jogo e marcou o gol da vitória. A CAF, porém, entendeu que a saída de campo configurou abandono e determinou a perda do título, decisão que gerou ampla crítica e questionamento público. A determinação está sendo contestada na Corte Arbitral do Esporte (CAS) e uma eventual reversão poderia representar novo abalo à credibilidade da entidade.
A entidade diz ter avançado nos últimos cinco anos na implementação de práticas de governança, ética, transparência e gestão, segundo Motsepe, mas reconhece que a percepção pública segue sendo um desafio. A renúncia do secretário-geral, anunciada no mesmo dia do comitê executivo, adiciona um ingrediente de instabilidade e pressão interna sobre a direção da CAF. Para torcedores que acompanham cada lance com a mesma paixão que a gente sente aqui no Rio, a clareza nas regras e a confiança nas decisões são fundamentais para o espetáculo. Resta agora acompanhar se as promessas virarão ações concretas ou se a confederação continuará no centro de debates que abalam o futebol continental.



