CAF anula título do Senegal e declara Marrocos campeão da Copa Africana

Copa Africana: Senegal tem título retirado, e Marrocos é declarado campeão | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou em 17 de março de 2026 a reviravolta que ninguém queria ver no futebol: o título conquistado em campo pelo Senegal foi anulado e o Marrocos foi declarado campeão da Copa Africana de Nações de 2025, com vitória administrativa por 3 a 0. A decisão do Comitê de Apelação se baseou no artigo 84 do regulamento da competição e transforma oficialmente o desfecho daquele jogo polêmico realizado em janeiro no estádio Prince Moulay Abdellah, em Rabat. O duelo havia terminado em 1 a 0 para o Senegal na prorrogação, mas a CAF entendeu que houve infrações disciplinares que justificaram a anulação do placar obtido em campo. É uma reviravolta que mexe com taças, estatísticas e com a memória dos torcedores que acompanharam a final.

Punições prévias

Antes da decisão final do Comitê de Apelação já haviam sido aplicadas punições que pesaram no processo: o técnico do Senegal, Pape Thiaw (técnico, seleção do Senegal), foi suspenso por cinco jogos e multado em US$ 100 mil por liderar protestos contra a marcação do pênalti. A federação senegalesa recebeu multa superior a US$ 600 mil por comportamento de torcedores, jogadores e membros da comissão, além de outras sanções menores. Jogadores como Ismaïla Sarr (atacante/ala, Al-Ahli/Arabia Saudita) também foram suspensos em procedimentos disciplinares posteriores à partida. No outro lado, o Marrocos teve penalidades aplicadas: Achraf Hakimi (lateral-direito, Paris Saint-Germain) pegou dois jogos de suspensão — um deles condicionado — e Ismael Saibari (meia-atacante, PSV Eindhoven) foi suspenso por três partidas e multado; a federação marroquina foi atingida por multas na casa dos US$ 315 mil.

Relembre o jogo

A final em Rabat ficou marcada por cenas de tensão e decisões controversas: nos minutos finais do tempo regulamentar, com oito minutos de acréscimo, um gol senegalês foi anulado por falta e, logo em seguida, o árbitro assinalou pênalti para o Marrocos após revisão do VAR, por uma suposta falta dentro da área sobre Brahim Díaz (meia-atacante, Real Madrid). A marcação gerou revolta imediata e jogadores do Senegal chegaram a deixar o campo em protesto, interrompendo a partida por vários minutos e tensionando o protocolo do jogo. Após muito debate e retorno à partida, Brahim Díaz foi à cobrança e teve o pênalti defendido por Édouard Mendy (goleiro, Al-Ahli/Arabia Saudita), que virou personagem da cena naquele momento.

A cobrança perdida não acabou com a história: a partida foi para a prorrogação e, aos quatro minutos do tempo extra, Pape Gueye (volante, Watford) marcou o gol que, na ocasião, rendeu o título ao Senegal. O atacante marroquino filmado abalado no banco e o clima acirrado em campo começaram ali um processo que culminaria meses depois na revisão do resultado. Do outro lado, o goleiro Bono (goleiro, Al-Hilal) trabalhou para evitar que o placar ficasse mais folgado, e Marrocos pressionou em busca do empate, com chances claras, mas sem sucesso na finalização. Com o apito final, o placar era 1 a 0, mas a sombra das contestações e das sanções seguiria pairando sobre a decisão até o veredito da CAF.

As consequências da decisão da CAF abrangem multas, suspensões e anotações formais no registro da competição: além da mudança no campeão oficial, as punições aplicadas valem apenas para competições organizadas pela CAF e não têm efeito sobre torneios como a Copa do Mundo. Para quem acompanha futebol — mesmo aqui do Rio lembrando dos clássicos no Maracanã, São Januário ou no Nilton Santos — é estranho ver uma taça continental redesenhada nos gabinetes. A história da final em Rabat entra agora para os arquivos como um dos casos disciplinares mais comentados do futebol africano recente, com impacto nas carreiras dos envolvidos e na memória dos torcedores.

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