
As mudanças na Federação Italiana de Futebol aceleraram depois da eliminação da Itália da próxima Copa do Mundo, sofrida nos pênaltis diante da Bósnia na terça-feira, 31 de março. A derrota acabou abrindo uma crise institucional que já derrubou a presidência da federação e agora atinge a própria delegação da Azzurra. No calor do momento, decisões foram tomadas em sequência, com repercussão imediata na seleção e fora dela. Torcedores e dirigentes ainda tentam entender o que vem pela frente, num cenário de cobranças e reflexões sobre o futuro da equipe nacional.
Três dias depois de ter anunciado a aposentadoria dos gramados em 2023, Gianluigi Buffon, goleiro (aposentado), último clube: Parma, foi confirmado como chefe de delegação e agora comunicou sua saída do cargo. A renúncia do presidente Gabriele Gravina antecedeu a decisão de Buffon, que afirmou sentir-se livre para tomar a medida após a mudança no comando da federação. Buffon havia assumido o posto para substituir Gianluca Vialli, ex-atacante e ex-técnico, que faleceu em janeiro de 2023 aos 58 anos devido a um câncer. A sucessão e as demissões desenham um período de transição para a FIGC, com debates sobre estrutura e responsabilidades dentro do futebol italiano.
O que Buffon disse
“Apresentar minha demissão um minuto após o término da partida contra a Bósnia foi um ato impulsivo, que surgiu do fundo da minha alma. Tão espontâneo quanto as lágrimas e a dor que sinto no coração, uma dor que sei que compartilho com todos vocês. Pediram-me para esperar para que todos pudessem refletir adequadamente. Agora que o presidente Gravina decidiu renunciar, sinto-me livre para fazer o que considero ser a coisa responsável a fazer. (…) O principal objetivo era levar a Itália de volta à Copa do Mundo. E não conseguimos isso.”
Goleiro histórico
Buffon é o jogador com mais partidas pela seleção italiana, com 176 jogos entre 1997 e 2018, statueta que o torna referência na história da Azzurra. Foi um dos pilares da conquista da Copa do Mundo de 2006 e deixou marca também nos clubes pelos quais passou, principalmente Parma e Juventus, onde consolidou sua carreira. A longevidade de Buffon no gol, sua liderança em campo e a identificação com a camisa italiana explicam a repercussão imediata de sua saída da delegação. Em meio à dor pela eliminação, o cenário abre caminho para um processo de renovação na federação e muitas perguntas sobre quem vai tomar as rédeas do projeto a médio e longo prazo.



