
Éder Militão, zagueiro do Real Madrid, viveu mais uma temporada drenada por lesões e acabou fora da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo após precisar de cirurgia na coxa esquerda. O defensor atribui parte do problema à gestão do retorno aos gramados no início da temporada, quando foi escalado com frequência mesmo vindo de longo período de inatividade. Essa leitura do jogador recaiu sobre Xabi Alonso, então treinador do clube, que teria acelerado o processo de retorno. A situação virou pauta entre torcedores e crítica esportiva, por misturar recuperação, ritmo de jogos e responsabilidade técnica. No bolso do jogador ficou a frustração de ver o sonho da Copa escapar por conta de uma lesão que exigiu intervenção cirúrgica.
Militão não fez a pré-temporada com o Real Madrid, mas esteve em 16 das 20 primeiras partidas oficiais do clube antes da primeira lesão grave, no início de dezembro. Esse período intenso foi seguido por quase quatro meses de recuperação, com retorno apenas no começo de abril. Após voltar, o zagueiro do Real Madrid entrou em campo em apenas cinco partidas antes de sofrer nova lesão séria que o colocou fora da Copa do Mundo. O padrão de lesões e retornos curtos acendeu o sinal de alerta sobre manejo físico e cronogramas de reapresentação. Para o defensor, a sequência de jogos sem um processo de readaptação tranquilo teve papel central nas recidivas musculares.
Lesões desde a Copa do Mundo de 2022
Nos últimos três anos Militão acumulou um histórico preocupante: entrou em campo em apenas 52 dos 179 jogos do Real Madrid nesse ciclo, o que representa perto de 29% das partidas disputadas pelo clube. Foram contabilizadas nove lesões ao longo do ciclo que inclui a Copa do Mundo de 2022, totalizando mais de 600 dias afastado do gramado. Com a cirurgia recente, a projeção médica indica retorno entre quatro e seis meses, prazo que manterá o zagueiro fora de ação por boa parte da temporada que se aproxima. Esses números deixam claro o desafio de recuperar ritmo e conquistar uma vaga de titular em um elenco acostumado a alta competitividade. A trajetória reforça o debate sobre gestão de carga, recuperação e a responsabilidade de comissão técnica e departamento médico.
Bastidores e demissão de Xabi Alonso
Xabi Alonso foi demitido do comando do Real Madrid em 12 de janeiro, após 34 partidas no cargo, com 24 vitórias, seis derrotas e quatro empates no histórico de resultados. Apesar dos números positivos, a relação com o elenco foi apontada como um fator que pesou na decisão da direção do clube. No vestiário, relatos de desentendimentos e escolhas táticas contestadas ganharam força, segundo relatos internos, e o caso de Militão acabou entrando no radar como exemplo de desgaste entre jogador e comando técnico. A demissão reabriu a discussão sobre como clubes grandes equilibram exigência de desempenho imediato e cuidado com a condição física dos atletas. Para Militão, resta agora concentrar-se na recuperação e na busca por retomar forma e confiança quando estiver apto a voltar aos treinos e aos jogos.



