
A República Democrática do Congo garantiu vaga na Copa do Mundo 2026, mas seus torcedores correm o risco de ter a entrada barrada nos Estados Unidos por causa de um surto de Ebola. Na segunda‑feira, 18 de maio de 2026, entrou em vigor uma medida do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) que restringe a entrada de portadores de passaportes não norte‑americanos que tenham passado pela RD Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias. A decisão atinge diretamente quem planejava acompanhar a seleção congolesa nos estádios americanos durante a competição que será coorganizada pelos Estados Unidos, México e Canadá. Para torcedores e delegações, a medida representa um desafio logístico nas próximas semanas.
Um funcionário do Departamento de Estado afirmou que as autoridades esperam que a seleção da RD Congo possa comparecer e disputar o torneio, mas que estão trabalhando em protocolos específicos. Segundo essa fonte, a intenção é enquadrar atletas e demais delegados nos mesmos procedimentos de testagem e isolamento aplicados a cidadãos americanos e residentes permanentes que retornam ao país. O CDC ainda não divulgou o protocolo final e a fonte não detalhou os critérios que poderão ser adotados. As autoridades dizem que as regras visam reduzir riscos sanitários sem, na teoria, comprometer a presença das equipes.
Há informações de que a seleção congolesa estaria treinando na Europa, o que pode afastá‑la da aplicação direta da restrição aos viajantes que recentemente passaram pela RDC. No entanto, por ora, as autoridades americanas indicaram que não preveem isenções generalizadas aos torcedores em relação ao protocolo de 21 dias. Isso significa que muitos torcedores que passaram recentemente pelos países afetados podem enfrentar negações de entrada mesmo com ingressos para o Mundial. Organizações e federações terão de acompanhar a evolução das regras nas próximas semanas para ajustar logística, credenciamento e transporte.
Surto de Ebola: o que se sabe
A Organização Mundial da Saúde declarou, no sábado 16 de maio de 2026, o surto de Ebola na RD Congo e em Uganda como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Até sábado, foram relatadas ao menos 80 mortes suspeitas, oito casos confirmados laboratorialmente e 246 casos suspeitos na província de Ituri, no nordeste da RDC, segundo órgãos de saúde. Em Uganda, foram confirmados dois casos laboratorialmente, incluindo uma morte em Kampala, e os pacientes tinham histórico de viagem à RDC. A cepa identificada é a Bundibugyo, e autoridades internacionais seguem monitorando a evolução e a resposta sanitária.
Taxas de mortalidade e resposta
Historicamente, surtos de Ebola já registraram taxas de mortalidade que variaram de 25% a 90%, com média estimada em torno de 50%. A cepa Bundibugyo tem estimativa de mortalidade entre 25% e 40%, segundo organizações humanitárias atuando na região. A Médicos Sem Fronteiras informou que se prepara para ampliar a resposta na província de Ituri, onde concentraram‑se os casos notificados. Enquanto isso, governos e agências de saúde trabalham para finalizar protocolos de viagem e repatriação que possam reduzir riscos para eventos internacionais, incluindo a Copa do Mundo 2026.



