Ancelotti diz que atua como treinador, pai e terapeuta dos jogadores

Carlo Ancelotti se vê como terapeuta e pai de jogadores: “Gosto disso” | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Em entrevista à Reuters, Carlo Ancelotti falou com a calma e o sorriso que a carreira inteira deu a ele, mas deixou claro que sua principal qualidade como treinador sempre foi humana, mais do que tática. O italiano, que iniciou a trajetória como técnico em 1995, disse que acompanhou as mudanças do futebol com equipes mais jovens ao seu redor, mas que a relação com atletas manteve-se parecida ao longo dos anos. Falou disso com a naturalidade de quem já treinou grandes nomes e defende que o contato pessoal faz parte do trabalho diário. O tom carioca da conversa poderia ser resumido num aperto de mão e num papo reto no vestiário: respeito, escuta e presença.

Ancelotti contou que se sente muitas vezes treinador, amigo, companheiro de equipe e, em alguns momentos, até pai. Ele explicou que essa proximidade exige sensibilidade e, por vezes, intervenção fora das quatro linhas para ajudar o jogador a tomar decisões pessoais e profissionais. Relatou um episódio curioso envolvendo um jogador brasileiro cujo nome não foi revelado (posição e clube não divulgados), que o procurou uma semana antes do casamento para dizer que não queria mais se casar. O treinador disse a ele: ‘Olha, você precisa tomar a decisão que seu coração mandar’, e lembrou, sorrindo, que o atleta acabou desistindo da cerimônia.

“Então existem muitos aspectos no meu trabalho: treinador, pai… às vezes até terapeuta. E eu gosto disso, gosto disso”, afirmou Ancelotti, com o riso discreto que costuma aparecer nas entrevistas. A postura mostra um técnico que mistura experiência de décadas com a sensibilidade necessária para lidar com uma geração jovem e de alto nível. Na Seleção, esse equilíbrio se torna essencial, sobretudo com a proximidade da Copa do Mundo 2026, quando a equipe brasileira terá olhos do mundo voltados para sua performance. O italiano destaca o potencial do grupo e a qualidade técnica dos jogadores, sem perder a objetividade jornalística que o cargo exige.

Renovação?

O treinador assinou vínculo de apenas um ano ao assumir a Seleção Brasileira em maio de 2025, e o futuro do contrato foi colocado sob a mesa: a ideia é definir a renovação após a disputa da Copa do Mundo 2026. Ancelotti foi direto ao dizer que gostaria de continuar e que, na prática, “está tudo acertado, só falta assinar”. A conversa sobre permanência, porém, seguirá condicionada ao rendimento da equipe no torneio e à avaliação técnica da comissão. Para o torcedor, resta acompanhar as partidas preparatórias e o desempenho no Mundial, momento em que as decisões formais tendem a ser tomadas.

Futuro e elenco

O treinador destacou que enxerga na convocação uma nova geração de jogadores com altíssimo nível, jovens que se destacam no Brasileirão, em clubes do Rio e no exterior, trazendo dinamismo e qualidade para a Seleção. Ancelotti valoriza a mistura entre juventude e experiência, apontando que o processo de construção é contínuo e passa por competições como o próprio campeonato nacional e torneios internacionais. Ele evitou projeções definitivas, mantendo a postura jornalística de quem prefere fatos a suposições, mas deixou clara a intenção de trabalhar a evolução do grupo. Para os cariocas que acompanham de perto jogadores do Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, a chegada do Mundial vai servir como termômetro para medir esse projeto em prática.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *