
A participação da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026 ganhou novos contornos políticos neste sábado, 9 de maio de 2026. A Federação Iraniana de Futebol confirmou que o país estará no torneio, mas condicionou a presença ao cumprimento de garantias por parte dos três anfitriões: Estados Unidos, México e Canadá. A declaração cai num momento de alta tensão no Oriente Médio e reacende debates sobre segurança e diplomacia ao redor do Mundial. É um recado claro de Teerã: jogar, sim — mas com proteção e respeito às suas bandeiras e símbolos.
Condicionantes e exigências
Segundo a entidade, a federação entregou uma lista com dez exigências que vão desde vistos até garantias de segurança em aeroportos, hotéis e deslocamentos oficiais. Entre os pedidos estão também o respeito à bandeira e ao hino nacionais, além de tratamento adequado a membros da comissão técnica e delegação. A posição surge depois de um episódio diplomático em que o presidente da federação, Mehdi Taj, foi impedido de entrar no Canadá para o Congresso da Fifa no mês passado. A proibição foi atribuída a alegações de ligação com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), grupo considerado terrorista pelas autoridades canadenses desde 2024. Em Brasília e entre organizadores, a preocupação é conciliar segurança internacional e a normalidade esportiva do torneio.
Jogadores citados
O documento iraniano também menciona atletas e membros da comissão técnica com histórico de serviço no CGRI, citando nominalmente jogadores como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi. Mehdi Taremi (atacante, FC Porto — POR) é uma das referências ofensivas da seleção, e o Irã quer garantias de que ele não sofrerá restrições migratórias durante o torneio. Ehsan Hajsafi (lateral-esquerdo e meio-campista, Tractor SC — IRN) também aparece na lista de preocupações das autoridades iranianas, que pedem tratamento igualitário para profissionais com passagem por organizações do país. Essas menções complicam a negociação porque misturam proteção de atletas com questões de segurança e política externa.
Reações e calendário
Nos Estados Unidos, autoridades afirmaram que os jogadores iranianos serão recebidos normalmente, mas que integrantes ligados ao CGRI podem ser alvo de restrições pelas autoridades de imigração. Do lado da Fifa, o presidente Gianni Infantino disse que o calendário do Mundial não será alterado e confirmou que as partidas do Irã seguirão sendo realizadas em solo norte-americano. A seleção iraniana definiu Tucson, no Arizona, como sua base durante a competição, uma escolha que visa reunir logística e ambiente de treino longe dos grandes centros. A estreia do Irã está marcada para 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles; depois vem a Bélgica, em 21 de junho em Los Angeles, e o fechamento da fase de grupos contra o Egito, em Seattle, no dia 27.
Em comunicado, a Federação do Irã reafirmou que participará do Mundial “sem abrir mão de seus valores culturais e políticos” e que nenhum país pode impedir uma vaga conquistada dentro de campo. Resta agora a fase prática das conversas entre federativos e governos dos três países-sede, uma negociação que combina diplomacia e logística esportiva. Para o futebol, é um capítulo que prova que Copa do Mundo é jogo dentro e fora do gramado; para os torcedores, a ansiedade fica em saber se as garantias serão suficientes para ver a equipe em campo. A expectativa é que nas próximas semanas surjam respostas concretas dos anfitriões enquanto a bola segue rolando rumo a junho.



