Jogadores irlandeses pedem boicote a partida contra Israel pela Nations League

Jogadores da Irlanda pedem boicote de partida contra Israel; entenda | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Jogadores de destaque do futebol irlandês se juntaram a artistas e personalidades num apelo público para que a Irlanda boicote a partida contra Israel pela Nations League, marcada para o final do ano. O documento trouxe assinaturas de nomes do futebol local, como Roberto Lopes (zagueiro do Shamrock Rovers) e Louise Quinn (zagueira do Birmingham City), além do ex-técnico Brian Kerr. O movimento mistura atletas e cultura e busca pressionar a Federação Irlandesa de Futebol (FAI) a rever a realização dos jogos. O tom é direto: pedir que o confronto não seja disputado por motivos humanitários.

Em carta aberta enviada à FAI, o grupo Irish Sport for Palestine acusa Israel de cometer ‘genocídio’ na guerra em Gaza e afirma que permitir as partidas violaria estatutos da Uefa e da Fifa. Os autores pedem que a federação utilize os mecanismos institucionais do futebol para responsabilizar ações que, segundo eles, afrontam normas internacionais. O apelo reúne jogadores da liga irlandesa e figuras do entretenimento num mesmo documento. A campanha foi batizada de ‘Stop the Game’ e busca ampliar o debate público sobre o papel do esporte em conflitos.

Em novembro de 2025, 93% dos membros da FAI votaram para que a direção pressionasse a Uefa com base nesses estatutos, segundo representantes do movimento. Os organizadores afirmam que a federação deveria ‘respeitar e representar’ essa vontade interna. Do lado institucional, a FAI tem sinalizado cautela diante dos riscos esportivos e legais de uma suspensão. A divergência entre a base associativa e a direção transformou o caso numa complicada questão de política esportiva.

Israel nega que suas forças tenham cometido genocídio na guerra em Gaza e rejeita as acusações feitas na carta. A imprensa procurou as partes para comentar, e as respostas oficiais têm sido medidas, reiterando posição contrária ao boicote. O primeiro‑ministro da Irlanda, Micheál Martin, afirmou que as partidas contra Israel devem ser realizadas, ampliando o debate público. Martin também disse que o país condena ataques terroristas e ressaltou a complexidade de misturar esporte e política.

“Catástrofe humanitária na Palestina”

O documento inclui uma declaração de Roberto Lopes, capitão do Shamrock Rovers e presidente da Associação de Jogadores Profissionais da Irlanda, que ressaltou a dimensão humana da crise. ‘Não podemos ignorar a catástrofe humanitária na Palestina; a enorme perda de vidas precisa estar acima de qualquer consideração esportiva’, disse Lopes, zagueiro do Shamrock Rovers. Lopes, nascido em Dublin, tem ligações com seleções de Cabo Verde e é figura central na mobilização dos jogadores. A fala dele deu força à campanha e provocou ampla repercussão nas redes.

A carta foi assinada também por atletas da Liga Irlandesa, pelo ex-técnico da seleção Brian Kerr e pela defensora Louise Quinn, que atua no Birmingham City e foi eleita duas vezes melhor jogadora da Irlanda. Assinam ainda artistas como a banda Fontaines D.C., o trio Kneecap, o cantor Christy Moore e o ator Stephen Rea, o que mostra o alcance cultural do apelo. A presença de celebridades amplia a pressão política sobre a FAI e órgãos do futebol europeu. O caso ilustra como o esporte pode virar palco de disputas éticas e diplomáticas.

A Irlanda receberá Israel no dia 4 de outubro, no Aviva Stadium, em Dublin, segundo a programação atual da Uefa. A partida originalmente designada como mando israelense, marcada para 27 de setembro, deve acontecer em campo neutro, conforme acordos em discussão. Autoridades da FAI avisaram que descumprir os calendários pode acarretar consequências esportivas, incluindo riscos de sanções por parte das confederações. O cenário deixa torcedores e clubes numa expectativa tensa sobre qual decisão prevalecerá.

Israel disputa competições da Uefa desde o início da década de 1980, depois de ter sido excluído de torneios da Confederação Asiática de Futebol nos anos 1970, quando vários países se recusaram a enfrentá‑lo. Esse histórico revela a complexidade geopolítica que envolve jogos internacionais e a necessidade de regras claras nas federações. O diretor‑executivo da FAI, David Courell, declarou que a seleção teria de cumprir suas obrigações para não prejudicar o futebol irlandês. A discussão entre princípios morais e deveres esportivos segue sem solução fácil.

Uma pesquisa da Irish Football Supporters Partnership apontou que 76% dos entrevistados são contrários à realização das partidas nas condições atuais, reforçando o conteúdo da carta. Para os organizadores, esse índice legitima a pressão sobre a federação e legitima o debate público. Para gestores públicos e esportivos, o dado é mais um elemento a ser ponderado diante dos riscos institucionais e legais. O desfecho depende agora de decisões da FAI, da Uefa e do governo irlandês nos próximos meses.

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