Palestina recorre ao CAS contra decisão da FIFA sobre clubes na Cisjordânia

Palestina recorre à corte esportiva contra decisão da FIFA sobre Israel | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

No futebol, até as disputas fogem do gramado: a Associação Palestina de Futebol (PFA) decidiu levar ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) uma apelação contra a decisão da FIFA de não sancionar Israel por clubes baseados na Cisjordânia. A PFA sustenta que clubes situados em assentamentos — áreas reivindicadas pelos palestinos para um futuro Estado — não deveriam competir sob a égide da Associação de Futebol de Israel (IFA). Segundo a entidade, a FIFA comunicou no mês passado que não adotaria medidas contra a IFA ou os clubes israelenses, citando o status jurídico ainda não resolvido da Cisjordânia no direito internacional público. A vice-presidente da PFA, Susan Shalabi, afirmou que os caminhos internos na FIFA foram esgotados e que a única alternativa é apelar ao CAS para buscar justiça esportiva. A PFA informou que o recurso foi protocolado em 20 de abril, e até o momento nem o CAS nem a FIFA comentaram publicamente o caso.

Problemas com Vistos

Shalabi relatou que a delegação palestina enfrentou dificuldades de entrada no Canadá para o Congresso da Confederação Asiática de Futebol (AFC), evento em que a questão foi discutida. Ela afirmou ter recebido uma autorização eletrônica de viagem por ter solicitado com um passaporte estrangeiro, mas que outros membros da delegação, incluindo o presidente da PFA, o secretário-geral e o consultor jurídico Gonzalo Boye, inicialmente não tiveram os vistos liberados. Ainda segundo Shalabi, os vistos só foram emitidos após pressão política, social e da comunidade de ativistas, e o presidente da PFA acabou não embarcando com o grupo, sendo esperado em chegada posterior. Gonzalo Boye, por sua vez, não compareceu ao evento por não ter obtido autorização de entrada no país. As autoridades canadenses indicaram que investigariam as circunstâncias das negativas e dos atrasos nas autorizações.

Impacto da Guerra em Gaza

A dirigente também descreveu um quadro devastador para o futebol em Gaza, onde, segundo ela, todas as estruturas esportivas estão inutilizáveis ou foram destruídas. Shalabi afirmou que centenas de jogadores foram perdidos no conflito, muitos deles crianças, e que hoje praticamente não há atividade futebolística na região. As ligas profissionais foram suspensas diante da insegurança, e a PFA tenta manter viva a prática por meio de competições de base e juvenis quando as condições permitem. O relato ressalta como a crise humanitária afeta diretamente o desenvolvimento do esporte e os caminhos para que novos talentos possam surgir em condições mínimas de segurança e infraestrutura.

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